Ultimamente muitos amigos, e não só, me têm perguntado se isso do Empower Network é um daqueles esquemas de pirâmide. Por vezes a questão nem vem em forma de pergunta, mas em forma de afirmação. “Ah, isso é daquelas pirâmides.”

Então decidi esclarecer um pouco as coisas, e, para não andar a explicar a uma pessoa de cada vez, em benefício também de muitos interessados neste assunto que nunca se cruzarão no meu caminho, logo não teriam oportunidade de me colocar qualquer questão ou formular qualquer afirmação, decidi, dizia, escrever um esclarecimento sobre este assunto.

Então, se não são o mesmo, serão assim tão diferentes?

São radicalmente diferentes, apesar de, na forma poderem usar uma roupa semelhante. Vamos ver esta semelhança que cobre uma realidade muito diferente:

Esta roupagem chama-se “convite”. Em ambos os casos, na Empower Network ou noutro qualquer negócio em multinível e pirâmide, a prossecução da actividade é baseada num convite. . Alguém que “está dentro” convida outra pessoa, que “está fora” na tentativa de a fazer “entrar”. Esta “convidada” por sua vez irá convidar outras pessoas, numa cadeia de convites. Daqui resulta uma determinada actividade que tem como objectivo a realização de capital. Este capital é devido à pessoa que convidou, numa determinada percentagem, percentagem esta que se estende também às pessoas por sua vez convidadas pelo convidado inicial. Claro?

É bastante fácil de entender que existe aqui um potencial de ganhos teoricamente ilimitado tanto no multinível como na pirâmide. Falei do “convite” e das remunerações em cadeia, e as semelhanças acabam aqui.

Vamos agora às diferenças.

Num esquema de pirâmide, um indivíduo paga uma determinada quantia para “entrar”, e, dessa quantia são retirados os dividendos para a cadeia de “convidadores” acima. Não existe criação de qualquer riqueza, nem através da venda de produtos ou serviços, nem por investimento financeiro que traga dividendos, por exemplo, nem pela valorização de divisas ou peças de arte. É muito claro: alguém coloca mil euros no sistema e espera vir a receber 10 ou 20 ou 50 000€ num determinado prazo, se forem recrutadas as pessoas suficientes. Imaginem por exemplo que o rácio de lucro é de 1 para 10 (de 1000€ investidos o participante receberá 10 mil€). Isto só significa que, para este participante receber este dinheiro, 10 outros participantes não receberão nada, ou seja, perderão o dinheiro. E todo o sistema de participação tem este pressuposto. Para 100 pessoas ganharem 10 vezes mais dinheiro que o que investiram…. terão de haver 1000 (mil) outros participantes a perderem todo o seu dinheiro. Certo?

Na pirâmide quem paga os dividendos são os participantes perdedores. Quando irá acabar o jogo? Quando os participantes se cansarem de tentar angariar novos participantes e desistirem perdendo assim o dinheiro. Nesse momento todo o sistema colapsa porque só pode pagar se houver novos participantes.

Regra de base do jogo da Pirâmide: “PARA EU GANHAR… MUITOS TÊM DE PERDER”.

Interessante, não? Uma amiga minha, um destes dias convidou-me para um esquema deste género… ainda lhe perguntei se ela era mesmo minha amiga porque entendo que um amigo não convida outro na esperança que ele perca dinheiro ou arranje mais alguém para perder dinheiro também.

Resta dizer que este tipo de sistemas são ilegais em quase todos os países ocidentais (não sei se não serão mesmo todos), mesmo assim, a ganância do lucro rápido sobrepõe-se ao respeito da lei e às amizades e laços de família, razão pela qual surgem de vez em quando surtos deste tipo que angariam rapidamente uma legião de seguidores mais ou menos gananciosos, mas, definitivamente, perdedores, tirando um ou outro que vão conseguindo ficar com o dinheiro dos outros.

Multinível por outro lado, é uma forma de distribuição de bens (produtos ou serviços) e de receitas derivadas da venda desses bens. Já detectaram a diferença fundamental? No multinível existe criação de riqueza. A diferença de valor entre a compra e a venda dos bens gera uma receita que vai pagar todos os dividendos em todos os níveis de patrocínio (de “convidadores”).

Explico: Um participante convida outro. Este tem de fazer dois trabalhos: usar algum tipo de produto ou serviço (o bem vendido através daquele multinível) e recomendá-lo a outras pessoas na esperança de que elas venham a ser consumidores/utilizadores desse bem, por um lado, e por outro ensinar novos participantes a fazer exactamente a mesma coisa. Desta movimentação de bens é gerada uma receita para a empresa mãe que esta utiliza para pagar as comissões pela cadeia acima.

Quando é que colapsa? Nunca, enquanto houver consumidores/utilizadores. Se um determinado participante deixar de ter clientes por qualquer motivo, ele deixa de ganhar dinheiro, nas vendas, mas poderá eventualmente ainda ganhar comissões da sua rede de distribuição.

Qual é o seu papel nesta cadeia de distribuição (de “convidados participantes”)? Ajudá-los a ganharem o máximo e a ensinarem outras pessoas também a ganhar o máximo, porque, uma vez que as receitas vêm do volume de negócios dos participantes, quanto maior for este volume mais dinheiro é ganho pela cadeia de “convidadores”. Cria-se deste modo uma relação de “ganho-ganho” absolutamente imbatível na sua eficácia em qualquer ramo de negócio.

Qual é então o segredo, a regra de ouro no na Empower Network e no Multinível? “PARA EU GANHAR… MUITOS TÊM DE GANHAR.”

Repararam na diferença fundamental?

  • Se querem saber a minha opinião… abjecto as pirâmides porque se baseiam na lógica de muitos negócios tradicionais: “o máximo para mim”.
  • Por outro lado adoro o multinível porque se baseia num sentido de independência mas também de entreajuda :”se tu ganhares muito eu também ganho muito”.

São paradigmas diferentes…. só um bocadinho….

 

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