“Não podemos ajudar toda a gente, mas toda a gente pode ajudar alguém.” – Ronald Reagan

Há uns tempos, diante de alguns desafios financeiros na minha vida, eu andava bastante preocupado. Pensava das dívidas a acumular, no rendimento a cair e não conseguia manter-me positivo.

Nesse dia, especialmente difícil, vi na Internet uma solicitação para que eu colaborasse numa acção humanitária para enviar comida para crianças pobres. A solicitação era mais que genuína, pois vinha de uma entidade super-acreditada. Não se punha a possibilidade de haver ali algo menos sério.

Aquilo tocou-me bem fundo e minha primeira reacção foi fazer um donativo. Contudo, nos segundos seguintes, vieram-me à memória as minhas próprias dificuldades: “Como poderei eu ajudar outros se não me consigo ajudar a mim mesmo?”. E não dei nada.

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Sentia perfeitamente que a minha falta de generosidade em nada ajudava a minha situação nem a das crianças com fome, que eu já tinha ajudado noutras ocasiões. Afinal elas não tinham culpa dos meus problemas financeiros. Não consegui ficar em paz comigo mesmo. Precisava de ajudar!

Fui ver o que tinha na conta e juntei o saldo do Paypal. Os meus últimos 100 euros e 35 cêntimos. Entreguei-os.

 

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Parecia um contra-senso: “estou eu a lutar para pagar as contas e vou dar os meus últimos cêntimos?” A lógica dizia que era uma idiotice, mas a intuição fazia-me sentir que estava certo. E estava. Tinha “morto a minha vaca”, que é como quem diz, “queimado a ponte”.

mudar a vida com 100 euros e 35 centimos

A verdade que a minha preocupação (“acções de pré-ocupado) transformou-se em motivação (“acções de motivado”). Iniciou-se uma tempestade mental que durou uma semana, vieram várias ideias e muito trabalho durante os 15 dias seguintes. A verdade é que consegui todo o dinheiro que precisava ainda antes do fim do mês, conseguindo mesmo a improvável quantia de 2898 euros e 50 cêntimos, numa actividade online, em menos de um dia.

Eu não tenho nenhuma dúvida: foi o universo a dar de volta, com juros, os 100 euros e 35 cêntimos. Eu sei que foi aquela mudança interior, a passagem da “preocupação” (foco no problema) para a “motivação” (foco na solução).

Um mês depois de ter dado a minha contribuição, foi-me endereçado um agradecimento em nome das crianças. Com o meu donativo foram entregues 120 refeições. Agradeci o agradecimento, mas cá dentro, eu é que estava cheio de gratidão.

Ajudar é um benefício mútuo, para o ajudado e para quem ajuda.

 

3 thoughts on “Ajudar com 100 Euros e 35 Cêntimos”

  1. Ajudar faço-o sempre que me é possível, muitas vezes dou quase tudo o que tenho faço-o com muito gosto, e a minha pena é não poder dar mais.Adorei a história.Muito obrigada

    Maria Silvéria dos Mártires

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