“Subir ao topo da árvore é arriscado, mas, meu filho, é lá que está a fruta toda.” – Um pai.

Ouvi já hoje na televisão uma pessoa de meia idade a ser entrevistada na rua por causa dos recentes aumentos de impostos. Entre outras coisas ela disse algo mais ou menos assim:

“Esta vida não vale nada, e quando vamos a ver estamos na reforma.”

Tenho uma história para contar:

Havia uma macieira gigante no meio da praça da aldeia. Aquela macieira deveria ter um 30 mil anos ou mais (sem exagero nenhum!) porque era tão grande que os ramos mais altos passavam acima da torre da igreja. Quando chegava a época das maçãs toda a aldeia ia apanhar maçãs que guardava depois para todo o ano, enquanto elas se aguentassem.

  • A maior parte das pessoas apanhava as maças do chão. Tinham sobrevivido a uma queda considerável, estavam tocadas mas eram deliciosas. O único problema é que depois de alguns dias começavam a apodrecer e depois de duas semanas já não se podiam comer.
  • Muitos aldeãos subiam acima da árvore com cestos e apanhavam as maçãs dos ramos. Os que ficavam a apanhá-las do chão comentavam que aquilo era suicídio, que não fossem parvos, “porque é que tens de ir ter com as maçãs se elas vêm ter contigo cá abaixo?” e riam. Era bastante arriscado, de vez em quando um deles vinha por aí abaixo e partia um osso ou dois, mas no geral estes achavam que valia a pena. Apanhavam maçãs menos maduras, menos doces, mas terminariam o processo de amadurecimento na tulha e aguentavam toda a temporada sem se estragarem. O único problema é que, mesmo com as críticas dos que ficaram no chão, havia muitos a apanhar as maçãs nos ramos. A quantidade de maçãs que cada um levava para casa não era muito grande.
  • Depois havia um terceiro grupo, dois ou três, que subiam lá acima, até aos ramos mais finos. Balançavam ao vento enquanto enchiam cestos e cestos e cestos de maçãs. Os que ficavam nos ramos mais baixos diziam-lhes: “É pá, vocês são malucos, isso é muito arriscado, se caírem nem Nossa Senhora vos pode acudir.Mas eles não queriam saber. Amarravam-se com cordas e arneses (que não malucos, mas não são parvos) e traziam para baixo um mar de maçãs perfeitas que tinham amadurecido com o sol que não chegava cá abaixo. E, melhor que tudo, em toda a abundância que poderiam desejar e necessitar.

Quem é que tem razão? Todos têm razão.

Cada um actua de acordo com o seu próprio sistema de avaliação:

  • Quem tem medo, tem de se contentar com a fruta podre.
  • Quem é um pouco mais audaz, fica com fruta boa, mas pouca, porque audazes há muitos.
  • Quem quer o melhor que a árvore tem para oferecer em qualidade e abundância faz o que mais ninguém tem a coragem de fazer.

Vale a pena os da fruta podre invejarem os da fruta do topo? Não, porque cada um come a maçã que merece.

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