Toda a gente tem múltiplas histórias e historietas a que raramente dá qualquer valor .

Podes achar que não tens nada de valioso para partilhar com a tua audiência, mas tens uma coisa que é ao mesmo tempo a mais valiosa de todas: uma história pessoal.

Tens uma vida cheia de lutas, episódios, sucessos, fracassos, amizades, conflitos, amores e desamores, conquistas, vitórias e derrotas. Todos os acontecimentos sem excepção contribuíram para te trazer aqui, a este momento, partilhando comigo uma aventura.

Se reparares com atenção, as histórias da nossa vida têm uma característica engraçada:

–  Quando mais difíceis melhor .

Exemplifico.

Imagina que fiz uma viagem até Paris, de carro. Aconteceram muitas coisas ao  longo  dos 1600 quilómetros do caminho  a  que posso ou não ter prestado  atenção. Quando  cheguei,  fui  visitar  um  amigo  e  ele  perguntou-me: “É  pá,  estou  a  pensar  fazer  a  viagem  de  carro  de  Lisboa  para  cá  da próxima  vez  que  for  a  Portugal.  Que  tal  é  a  viagem” Ao  que  eu  posso responder: “É  fixe.” Contudo posso  também  contar  que: “Tive um furo depois de meia hora de caminho e estava a pensar em adiar  a  viagem  para  o  dia  seguinte,  mas não  o  fiz  e  ainda  bem  porque  teria apanhado  a  tempestade  de  neve  da  véspera,  mesmo  a  passar  o  país basco.  Aí  parei  para  dormir  um  pouco  e  veio  a  polícia  a  mandar-me seguir caminho porque tinha havido um atentado a 5 Km dali e a área não era considerada  segura.  Depois  atravessei  os  Pirinéus  durante  a  noite,  não reparei  na  estrada  e  perdi-me.  Andei  mais  de  duas  horas  a  subir  uma montanha para, chegado lá acima me deparar com um restaurante, uma estância  fechada  e  um beco sem  saída.  Tive  de voltar  para  trás,  mais duas horas  de  viagem.  Quando  era  manhã estava  precisamente  no  mesmo local  onde  estive  a  dormir  na  noite  anterior  e  o  polícia  me tinha  mandado embora… só que tinham  passado 5 horas de viagem inútil  e tinha  sofrido um desgaste bastante pronunciado na minha energia e nas reservas de snacks.”

O que é interessante nesta segunda história é que nenhuma das coisas interessantes é positiva, com excepção de uma: enquanto estou a contar ,  o  meu  amigo  já  sabe  que  tudo  terminou  bem  pois  estou  ali  à  frente dele.

O  problema  é  que  para  mim,  agora  que  estou  a  contar  a  história,  tudo  é romântico  e  aventureiro  mas  no  momento  de  lidar  com  aquelas adversidades  eu  estava  tudo  menos  sorridente.

É o que tem de bom a tua história: estás sempre a contar o que te aconteceu, do  ponto de vista dos resultados, do ponto de vista do sucesso.

Se tens uma história de carência para contar , conta-a mas sempre no passado. “eu tinha”, “eu fazia” ou” aconteceu isto ou aquilo”.

O  facto de te referires às dificuldades no passado, estás a marcar uma posição: agora não tens mais esse problema, achaste uma solução.

Evidentemente que uma história de dificuldades é  uma  seca. Ninguém te quer ouvir a queixares-te. Toda a gente tem os seus próprios problemas e os teus, realmente, não têm qualquer interesse para ninguém. Não é disso que estou a falar.

Estou a falar de contares a tua história do ponto de vista das soluções.

Por isso é que quanto mais difícil melhor .

Toda a gente fica fascinada com uma história de sucesso, apesar de todos os problemas, contra todas as probabilidades.

A tua é isso, e é assim que a deves contar .

–  Tornam-se em “mitos” no momento em que são contadas.

Todas as histórias reais têm esta outra característica fantástica: Para serem extraordinárias é necessário e suficiente que sejam contadas.

Imagina, o que tem de especial a minha viagem a Paris! Nada, realmente. Mas quando se começa a contar, tudo ganha um carácter mitológico, sai da realidade e adquire um estatuto diferente.

Alguém a sair do carro para ir à casa de banho é algo comum, mas alguém sair do carro de meia em meia hora, e fazer as necessidades num descampado já é uma história digna de nota. Sabes porquê? Porque eu estou a contá-la. No momento em que aconteceu, toda a gente do carro se estava a queixar da diarreia do Manel, o pessoal aborrecido e o Manel envergonhado.

Não tomes a tua história como banal. Não é.

As  tuas  histórias são o teu activo económico mais precioso, se tu aprenderes a rentabilizá-las.  Já estamos a tratar disso.

Depois de teres escolhido a tua  audiência, precisas de procurar na tua vida  passada  algum  episódio  que  seja  marcante no processo de identificação contigo. Alguma coisa que tenha acontecido com a qual as pessoas possam identificar-se.

Se a tua audiência são homens e mulheres de negócios, por exemplo, procura  na  tua  vida  um  episódio  de  grande  dificuldade ou  enorme aventura, alguma coisa que tenha mudado o rumo da tua vida ou a tua compreensão  da  mensagem mais importante que  pretendas transmitir. Pode ter sido um acidente, um despedimento, uma falência, uma traição, um episódio rocambolesco.

Não  importa o que é, o que importa é que sirva o seu propósito de:

–  Mostrar que és uma pessoa comum que também passou por dificuldades.

–  Mostrar que, se tu conseguiste, as pessoas do teu público também poderão conseguir .

Por este motivo, a  tua história pessoal não é um desfile de elogios, nem de gabarolices.  Mantém-te honesto e aponta com sinceridade os teus falhanços. Terás oportunidade de falar dos teus sucessos também, mas isso fica para depois. Começa por te expor nas debilidades, isso cria credibilidade e empatia.

Sei que não é fácil deixar cair a máscara e falar de coisas por vezes íntimas, coisas que nos marcaram mas que determinaram o rumo positivo que a nossa vida agora tem. É para isso que ela serve.

Tem uma intenção: mostrar ao leitor que és uma pessoa verdadeira, confiável, honesta  e  que sabe para onde vai.

Toda a gente gosta de seguir quem  sabe  para  onde  vai.

Este processo, de criação da tua história, pode ser demorado ou não, depende da tua destreza. É comum demorar uns dias a afinar .

Esta  é  a  estrutura:
–  A tua vida antes do acontecimento marcante.
–  A descrição do acontecimento.
–  O que aconteceu depois disso.
–  Em que ponto te encontas agora.
–  Onde estarás no futuro próximo.

Um  exemplo  de  uma  história  de  30  segundos  que  passa  por  todos  estes pontos:

“Eu  vivia numa aldeia pequena, cheio de problemas financeiros. Um dia tive um  acidente e pensei que ia morrer. Só pensava que a minha família ia ficar sem niguém que  cuidasse dela. Assim que sai do hispital fui fazer um seguro de vida, agora estou descansado. Espero que nada aconteça durante muitos anos, mas se acontecer já não estarei preocupado com esse assunto.”

Podes aumentar os detalhes (especialmente os do “antes” que são sempre populares, e até escrever um ebook ou mesmo um romance, se quiseres.

Intenção desta história de exemplo: dar a entender à audiência que temos de pensar na segurança dos que dependem de nós.

Porque queres passar essa mensagem?

Pode ser por vários motivos: para vender seguros, para passar mensagens de segurança rodoviária, para comunicar a brevidade da vida e o quanto é importante aproveitá-la ao máximo, vender suplementos, qualidade de vida, a importância de passar tempo com  a  família, a opção  “trabalho em casa“,  ou mesmo  “marketing de rede”,  etc,  etc,  etc.

A orientação que tu darás depois à tua história tem de servir o teu objectivo.

O importante  é que a tua audiência simpatize com a tua situação anterior e adira de coração à tua intenção pensando: se ele conseguiu, eu também conseguirei.

– Faz uma versão de 30 segundos, como a apresentada acima. Usa esta versão de passagem num vídeo, numa conversa, num ebook, num blog.

– Faz outra de 2 minutos para usares mais raramente: em eventos nos quais sejas orador, numa conversa um a um com alguém.

– Faz ainda uma outra com muito detalhe. Coisa para demorar uns 15 minutos (ou a contar ou a ler).

Não te esqueças que o objectivo não é falar acerca de ti, mas ilustrar porque é que hoje estás nas boas circunstâncias em que te encontras, e inspirar a tua audiência a fazer o mesmo. (A parte importante em que explico como é que as pessoas podem vir a fazer o mesmo que tu, fica para depois, quando falarmos do funil de marketing.)

Estás recordado que, quando enumerei as características que deveria ter uma audiência, referi que tinha de ser “alcançável“.  Pois é. Se não conseguires entrar em contacto com ela  é como se não existisse. Andarás a pregar no deserto sem que ninguém esteja minimamente interessado no que tens para dizer.

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