Vamos pegar no trabalho indicado nos primeiros capítulos destes artigos e dar-lhes uso. Estás recordado (não o leste assim há tanto tempo) da escolha da audiência, do desejo dela, o teu tema e da tua história? Vamos a isso.

Preparado?

Não penses que podes conseguir alguma coisa de importante sem um plano.

Escrever um ebook é um projecto ambicioso e será marcante para o teu percurso como guru.

Por isso não facilites.

15 dias, 15 passos.

  Vamos traçar um plano de acção. Marca aí no teu calendário o dia de hoje e escreve “início” depois conta 15 dias e, ao décimo quinto dia escreve: “fim”.

2º  Audiência e intenção. Para definires a tua audiência e a tua intenção reserva dois dias no teu calendário. O que vais fazer nestes dois dias?

–  Fazer o retrato robot da tua audiência, como explicado no capítulo 5 – O Ferrari.  (vai lá  ver).  Marca  um  dia para isso. Não tenhas pressa pois este trabalho de alicerces não se vê mas é o que vai fazer do teu ebook um sucesso.

–  Definir  o  que  queres  que  aconteça  com  os  teus  leitores  quando estiverem a ler  ou terminarem a leitura (a tua intenção). Marca outro dia para  isto.  Precisas  de  ter  uma  intenção  clara.  Uma  intenção  não  é “melhorar a minha reputação” ou “ajudar as pessoas a fazer isto”. Não. A intenção  é  mensurável  e  concretiza-se  através  de  uma  acção  por  parte  do leitor:

–  Levar  a  pessoa  a  inscrever-se  na tua lista,

–  Vender  um  produto  próprio  ou  de  terceiros,

–  Dar-lhe  informação  que  mude  a  sua  forma  de  entender  algum assunto  (por  exemplo  é  típico  no  marketing  de  rede)  e  abra  a possibilidade  de  a  pessoa  aderir  a  um  negócio,  ou  programa  ou  ideia específica  (o  que  é  mensurável  é  a  taxa  de  adesões).

3º  Fazer  o  índice. Marca  um  dia  para  isso,  o  terceiro.  Neste  dia  vais escolher  que  assuntos  irás  abordar  e  vais  colocá-los  na  sequência adequada. É como se fosses escrever o sumário de uma aula que estás a preparar .

– Introdução. Aqui vais explicar logo  nos primeiros parágrafos o que  a  pessoa  irá  aprender, saber, melhorar,  conseguir  quando  terminar  de ler o ebook (tem de estar de acordo com os desejos que identificaste na tua  audiência)  e  em  seguida  explicar  porque  decidiste  escrevê-lo: normalmente  porque  muitas  pessoas  te  pediram  ajuda  ou  foi  ideia  de  um amigo teu ou surgiu-te quando viste tantas pessoas desorientadas nesse aspecto.

– A tua história. Vais contar uma história tua, obviamente verdadeira, que  exemplifique  porque  é  que  tu  agora  sabes  o  que  sabes  e  que  vais contar .  Não te acanhes com as difculdades. (lê  de novo a secção “achar petróleo“  no  capítulo  15).

–  Sequência  dramatizada  de  assuntos.  Pões  somente  os  títulos  e subtítulos.  É  normal,  nesta  fase,  teres  várias  ideias  encavalitadas  e desorganizadas umas por cima  das outras. Se for o caso,  ao pé de cada título  ou  subtítulo,  adiciona  umas  notas.

Dica:  faz  isto  no  caderno  de  notas  e  não  no  computador .  O  acto  simples de riscanhar e escrever por cima, colocar umas setas e coisas do género, dão-te a velocidade de execução necessária para acompanhar as ideias quando  vêm  muito  depressa.  Um computador  neste  caso  é  demasiado lento.)

Por  “dramatizada”  quero  dizer  o  seguinte:  Quando  levantas  uma pergunta no teu texto, não respondas logo em seguida, aborda primeiro outro  assunto. Deste  modo manténs  o  teu  leitor “em  pulgas”.  Contudo não  faças  isto  constantemente  porque  pode-se  tornar  bastante enervante.  Se  for  feito  com  parcimónia  tem  um  efeito  poderoso.

–  Última  parte:  “e  agora?”.  Este  capítulo  não  tem  de  estar obrigatoriamente no final. Podes ter feito diversas chamadas à acção ao longo  do  ebook,  usando  links  para  o  que  te  interessar .  Se  o  fizeres  no  final dá a entender que o que o teu leitor acabou de ler  é somente a ponta do iceberg,  é somente um cheiro de uma refeição deliciosa a que ele poderá aceder  “neste  link”.

4º  Para  o quarto dia vais  reservar  o início  da escrita. 

Tens  agora  10  dias para escrever  o  teu  ebook.

E  mais  um,  o  último  para  os  acabamentos. Entre todas as vantagens óbvias de um ebook em relação a um livro em papel é que um ebook pode ter de 15 a 20 páginas ou menos e não há problema  com  isso.  Em  termos  do  efeito,  na  minha opinião,  deverá  ter entre 20 e 100 páginas A4, com fonte Times Roman corpo 12 a 1 espaço, nem  menos  nem  mais.  Um  texto  com  100  páginas  com  aquelas características,  corresponde  a  um  livro  de  6×9  polegadas  (bastante standard)  com  150  páginas.

– Menos que 20 páginas A4, lê-se  demasiado depressa. A não ser que o conteúdo  seja  extraordinariamente  bem  escrito,  tens  pouco  tempo  de leitura para engajar o leitor , envolvê-lo na tua mensagem e levá-lo a agir .

– Se for muito grande, o simples número de páginas afasta muitos leitores que  não  têm  tempo,  ou  vontade  de  investir  muito  tempo,  na  leitura  do  teu livro. A maioria das pessoas lê  os seus ebooks num écran, e esse é mais um  motivo  para  não  o  escrever  muito  longo.

Para este quarto dia, e para todos os restantes vais estabelecer um objectivo  de  produtividade:  6  páginas  por  dia.

Não  sei  se  te  parece muito  ou  pouco,  mas no  final  dos  10  dias  de  produção  terás  o  teu  ebook com  60  páginas  A4,  cerca  de  90  se  fosse  um  formato  standard  em  papel: cerca  de  duas  horas  de  leitura  continuada  para  o  teu  leitor .

5º Coloca  no teu calendário o tempo necessário para escreveres as 6 páginas  por  dia.  Tipicamente  poderás  demorar  cerca  de  duas  horas. Coloca 2,5 ou mesmo 3 horas. Não te esqueças que estás numa missão. Dar  o  máximo  que  puderes  dia  após  dia.  Daqui  a  11  dias  terás  terminado a  escrita  e  terás  algo  que  irá  trabalhar  para  ti,  todos  os  dias,  para  sempre, trazendo-te  contactos  que  se  irão  converter  em  clientes  ou  dinheiro num  fluxo  constante.  Vale a pena “dar o litro”.

6º  Verifica  o  teu  progresso  diariamente.  Não  te  esqueças  que provavelmente alguns, se não todos, os assuntos irão requerer da tua parte  algum  tipo  de  investigação  ou  aprendizagem.  Precisas  de  te disciplinar  no  controlo  da  inspiração.

– Dica: habitua-te a ter sempre contigo um bloco de notas de bolso (tipo  Moleskin)  ou  um  gravador  de  áudio  (quase  todos  os  telefones celulares  têm  um).  Sempre  que  tiveres  uma  ideia,  uma  abordagem diferente que não tinhas  pensado antes, uma inspiração,  toma nota. Se fores  a  conduzir  pára  o  carro,  se  não  puderes  parar ,  grava  no  teu telefone,  se  estiveres  a  falar  com  alguém  pede  licença,  vai  a  casa  de banho  ou  algo  assim  e  grava  ou  escreve  a  tua  ideia.  Não  penses  que “depois  eu  lembro-me”,  ou  “esta  ideia  é  tão  interessante  que  com certeza  não  a  irei  esquecer”.  Tenho  uma  má notícia:  vais  esquecê-la  sim. Por  isso  não  facilites.  Uma  boa  ideia  que  deixaste  escapar  pode  ser  a  tua independência financeira a ir pelo cano ou todo o teu projecto de vida atrasado  meses  ou  anos.

7º  Quando  emperrares  num  assunto,  deixa-o  de  lado  e  avança  com outro.  Como  tens  o  plano  de  trabalho  com  um  índice,  podes  pegar  em qualquer assunto em qualquer momento,  saltitando  de um para  outro, conforme a vontade e a inspiração do momento. Aproveita para avançar mais em algum tema no qual te sintas inspirado, ou porque viste alguma coisa, ou aconteceu algo, ou leste, ou ouviste, ou pensaste. Não precisas de escrever tudo seguido e valem mais 2 páginas inspiradas do que 100 desinteressantes.

8º Foca-te no que tens em mãos. Resiste à tentação de colocar tudo o que  sabes  ou  que  te  lembras  e  de  referir  todos  os  detalhes.  Não  te esqueças  que  é  melhor  pouca  inf ormação  mas  clara,  do  que  muita  e confusa.  Se  te  lembrares  de  um  assunto  que  não  tinhas  integrado  no índice  logo  no  primeiro  dia,  toma  nota  dele  e  pondera  bem  onde  e  como  o irás  abordar .  Se  puderes  falar  dele  de  passagem  melhor ,  mas  se  for mesmo muito importante e merecer um título ou um subtítulo, pondera bem  onde  o  irás  colocar  para  não  te  dar  cabo  da  organização  que  já  tens.  O ideal mesmo, se o assunto não for de vital importância e não se encaixar naturalmente no esquema que já tens, é deixares esse assunto de lado.

Este  não  será  o  último  livro  que  escreverás.

9º Tira todos os dias um tempo para leres o que já escreveste. Tu és o teu primeiro leitor e aqueles 15 minutos ou meia hora que passarás a ler são  uma  das  melhores  coisas  que  podes  fazer  para  progredires  com segurança  e  eficácia.  Neste  tempo  desfrutas,  desenvolves  novas  ideias, mais  detalhes, corriges  erros  ou  clarificas  o  texto.  Se  fizeres  isto diariamente  vais  poupar  muito  tempo  e  trabalho  no  final.

10º  Ilustra  as  ideias  com  histórias.  Conta  algo  que  viveste  ou  que  te contaram  ou  que  viste  acontecer .  É  como  se  fossem  as  figuras  que  ajudam a  entender  um  conceito.  Não  precisas  de  contar  uma  história  a  cada assunto,  mas se o fizeres mais ou menos a cada meia hora a uma hora de leitura  irás  ser  bastante  mais  dinâmico,  interessante  e  efectivo.

11º  Faz  por  fazer  descer  tudo  o  que  disseres  até  à  prática.  As  teorias  são interessantes,  as  ideias  é  que  informam  as  acções,  mas  se  não  deres detalhes práticos acerca do melhor uso que a pessoa pode fazer com as informações  que  lhe  estás  a  passar ,  realmente  não  lhe  servirá  de  muito.

Imagina  que  eu  me  limitava  a  dizer ,  neste  capítulo:  “escreve  o  teu ebook”.  E  não  dizia  nada  mais  acerca  desse  assunto,  ou  limitava-me  a explicar como promovê-lo online, ou como o vender ,  ou divulgar ,  como ter uma capa, uns banners, etc. De que te serviria saberes todas aquelas coisas  se  não  tivesses  forma  de  aprender  como  fazer  o  principal:  escrever o  ebook  propriamente  dito.

Por  isso  estou  a  guiar-te  nestes  15  pontos.

12º Mesmo escrevendo de forma salteada, e ao ritmo da inspiração, vais  ter  de  saber  como  lidar  com  a  falta  de  vontade  e/ou  falta  de inspiração.  Quando emperrares  num  assunto  e  não  estiveres  nem  com vontade nem inspirado para prosseguir lembra-te do seguinte: parar não é opção. Muitos dos melhores conteúdos que já escrevi foram “tirados a ferros”. Eu gosto de chamar a este trabalho desagradável que é escrever por obrigação,  para cumprir calendário: “chupar um prego ferrugento”.

Acho que a imagem é suficientemente clara. Tem pouco de divertido, no início,  mas  acaba  por  ser  recompensador .

O que é  um facto é  que há uma certa  qualidade de inspiração  que vem escrevendo. Não esperes estar com vontade, nem  inspirado para arrancar. Não. Tu escreves  cumprindo  o teu  horário  como está estipulado no  calendário. Com inspiração ou sem ela. Tens assuntos  para  abordar, investigações para fazer, coisas para ler e  para explorar,  textos  para escrever. A inspiração não é para aqui chamada.

É  claro  que  escreverás  textos  de  uma  inspiração  extraordinária,  claros, intuitivos,  e  terás  outros  mais  maçadores.  Mas  é  assim  mesmo.  Podes sempre  voltar  atrás,  quando  estiveres  mais  inspirado  e  corrigir  o  que escreveste  nesse  dia  cinzento.

13º Controla o teu progresso. Faz as contas aos dias e aos assuntos já abordados.  Não  te  detenhas  com  imensos  detalhes  num  aspecto  para depois  passares  demasiado  rapidamente  por  todos  os  outros.  Mantém um  nível  de  profundidade  adequado  ao  teu  “dead-line”. Se chegares ao teu dia 9 (a meio) e não tens metade do trabalho feito precisas  de  aumentar  a  produção.  Ou  escreves  mais,  ou  diminuis  o detalhe,  mas  não  tanto  que  o  assunto  fique  “pela  rama”.  É  vantajoso conseguires  um  dia  de  avanço  em  relação  ao  teu  prazo,  faz  por  isso.

14º Um autor escreve, e escreve sempre. Faça chuva ou faça sol, com visitas  em  casa,  com  feriados  ou  férias,  com  dores  de  barriga  ou  queda  de cabelo. Se não morreste nem estás em coma, podes escrever e tens de o fazer ,  até  terminares.  Depois descansas,  mas agora  não.  Tu  estás numa missão.

15º  Terminada  a  escrita,  precisas  de  rever  tudo.  Imagina  que  és  o  leitor , sente  o  que  ele  sente,  melhora  uma  frase,  acrescenta  colorido  noutra. Mais  emoção  aqui,  mais  inf ormação  acolá.

Verifica  o  encadeado  dos  assuntos.  As  referências  cruzadas:  se,  na página  10  falas  de  um  assunto  que  supostamente  está  explicado  na página  30,  é  melhor que  esteja  mesmo lá  e  que  esse  conteúdo  não  foi atirado  para  a  página  32  quando  mudaste  a  paginação,  por  exemplo.

Presta muita atenção aos erros ortográficos porque são, literalmente, assassinos  de  credibilidade.  Em  todo  o  caso  prepara-te  para  viver  num mundo imperfeito: depois de passares o corrector ortográfico,  e de leres tudo  10  vezes,  ainda  haverá  alguns  que  escaparam.  É  assim  mesmo,  e  este livro é provavelmente um exemplo disso. Por isso  dá-te ao trabalho de, depois de fazeres tudo isso, dares o teu ebook a ler a alguém e pede-lhe especificamente para verificar a ortografia. É extraordinário o que outro par  de  olhos  consegue  descobrir .  Ainda  assim,  é  possível  que  passe alguma  coisa,  mas  como  te  disse,  não  vivemos  num  mundo  perfeito.

Recomendo  vivamente  que  executes  este  exercício  efectivamente  e não te limites a ler  aqui como fazer .  Garanto-te que aprendes mil vezes mais executando,  do  que  conseguirás  somente  lendo,  mesmo que  o  faças 30  vezes  e  aprendas  este  guia  de  cor.

Muitos  autores  escrevem  os  ebooks  no  Word,  põem  em  PDF  e  no mercado. Tu não.

Tu tens de ser melhor que isso.

Contrata um serviço de design  gráfico  para  te  formatar  o  ebook,  escolher  o  tipo  de  letra,  fazer paginação,  colocar  elementos  gráficos  que  ambientem  o  texto  e proporcionem  uma  experiência  de  leitura  melhor  para  o  teu  leitor .

Precisarás também de uma imagem de capa e de uma ou mais imagens em  3D  do  teu  livro.

Um  ebook  é  incorpóreo,  mas um  livro  não.

Precisas  de uma  boa  capa  e  de  uma  boa  imagem  3D  para  a  promoção  e  lançamento.

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