– Há  pessoas  que  têm  um  talento  especial  para  algumas  coisas  e,  se  trabalharem mais e melhor que todos os outros, poderão ser  o número 1  em  determinada  área.

– Outras  pessoas  não  têm  qualquer talento natural aparente, mas, se trabalharem mais  e melhor do que todos os outros, poderão também eles ser números 1 nas respectivas  áreas.

Já  reparaste, que, em ambos os casos, o segredo  é  “trabalhar  mais  e melhor”?  Sim,  o  segredo é trabalhar, mas não é só trabalhar muito, é trabalhar com inteligência.

Não são as pessoas que trabalham muito que têm muito sucesso.

Um tio  meu  dizia: “Trabalho tantas horas todos os dias que não tenho tempo para  ganhar dinheiro.”

Gosto  da  analogia  do  burro  e  do  Ferrari:

Podes  ser  um  trabalhador incansável, um “génio da caracoleta” mas se o teu veículo for um burro, nunca  irás  mais  depressa  do  que  a  passo.  Podes  espancar  o  burro  o quanto quiseres, mas não está na sua natureza correr a 300 Km por hora, por  mais  que  o  espanques. Por outro lado, se estiveres dentro de um Ferrari, basta um pequeno toque  no  acelerador  para  avançares  tão  rapidamente  com  um  raio.

O  veículo  é  tão  importante  como  o  talento  e  o  trabalho.

No  questionário verificaste as tuas espingardas.  Podes  ter  muitas armas,  poucas  ou  mesmo nenhumas,  isso  realmente  não  determina  o  teu resultado,  determina  somente  o  teu  percurso.

Nas condições críticas do teu sucesso como guru estão, por ordem crescente de importância: menos  importante, o talento, a seguir o trabalho e, finalmente, o mais  importante: o sistema, ou método que traga resultados previsíveis.

O talento e o trabalho equilibram-se mutuamente.

Mais talento  e  mais trabalho  melhores  resultados,  se  usares  um  sistema  adequado  (o  Ferrari). Pouco talento, compensa-se com mais trabalho.

Depois  de  ter  frequentado  o  Conservatório  de  Música  do  Algarve como estudante de guitarra clássica, fui  professor de música em algumas escolas.  Numa  dessas  turmas  havia  um  aluno a quem eu, na minha ignorância, não prestei grande atenção e não dei  grande valor . Ele tinha mãos de cavador: dedos grossos e mãos calejadas. Não sabia cantar  nem para salvar a vida. Para ele um DÓ e um RÉ eram precisamente o mesmo. O ouvido  dele era duro que até tinha dificuldade em distinguir a altura das notas de uma escala  diatónica. Se  houvesse audições naquela escola para seleccionar alunos, ele nunca teria  entrado.

O que é um facto é que nunca vi ninguém com tanta paixão pela guitarra nem com tanta capacidade de trabalho. Durante um ano inteiro andou continuamente atrasado em relação a todos os outros alunos. Os colegas  (e eu mesmo também) tratavam-no com  condescedência. Ponderei várias vezes perguntar-lhe o que é que ele andava ali a fazer e se não  queria  desisitir, pois não tinha a mais fraca centelha de talento e dava-me pena vê-lo  esforçar-se tanto. Nunca lho disse, ainda hoje não sei porquê, mas ainda bem.

O  facto é  que no segundo ano, depois das férias de Verão o Zeca estava ao nível dos outros alunos. Tinha passado as férias a estudar e praticar, enquanto os outros iam para a praia e para as festas. No final do segundo ano era o melhor aluno, no final do terceiro começou a tocar em público por dinheiro e tornou-se sem dúvida um bom músico, muito acima de qualquer um dos outros, alguns deles muito talentosos.

O que levou o Zeca a trabalhar com tanto afinco durante tanto tempo, mesmo enquanto não via qualquer resultado? Nunca lho  perguntei.

Mas aprendi  esta  lição:

Uma pessoa de sucesso faz coisas que os fracassados não estão dispostos a fazer .

O  sucesso pouco tem a ver com talento.

O que não falta por aí são pessoas talentosas e fracassadas. Esta hitória serve para te por  à-vontade no que diz respeito ao talento e ao trabalho. Ambos são importantes mas o trabalho é mais.

Como viste no início deste capítulo, “tudo se aprende” incluindo a ser um  guru.  No capítulo  anterior  identificaste  as  tuas  circunstâncias  actuais: os teus talentos e o trabalho já desenvolvido.

A seguir vamos falar do Ferrari, o tal sistema. Vamos por partes e por ordem.

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