faz-o-que-gostasImaginas um homem rico mas infeliz porque vive emocionalmente agarrado ao dinheiro que tem? E um pobre? Consegues imaginar um pobre infeliz porque vive emocionalmente agarrado ao dinheiro que não tem? Haverá uma ligação entre Dinheiro e Felicidade?

Aposto que consegues facilmente imaginar, e até pode ser que conheças alguém em ambas as situações e, como podes observar, viver emocionalmente agarrado ao dinheiro não tem nada que ver com a quantidade de dinheiro que se tem ou que não se tem, mas sim com a atitude que alguém desenvolveu em relação a esse dinheiro. Faz sentido para ti?

O dinheiro é uma concentração de energia muito poderosa que tem o potencial de se transformar em imensas outras coisas que são, por sua vez, outras formas de energia:

Numa das alturas mais difíceis da minha vida, financeiramente falando, habituei-me a ter sempre dinheiro no bolso. Na época andava com 1 euro, às vezes uns 5 ou 10 euros, e, quando conseguia, andava com uns 100 euros no bolso.

 

Sentir aquelas 5 notas de 20 euros dobradas dentro do bolso tinham um efeito poderoso sobre mim.

 

Deixa que te diga: viver atolado em dívidas, não ter dinheiro para pôr gasolina no carro para ir às compras, quanto mais para pagar as compras propriamente ditas (!) e andar com 100 euros no bolso e não os gastar dava-me uma sensação boa de poder e de controlo indescritíveis.

 

Quando isso acontecia, quando conseguia ter os 100 euros no bolso:

  • eu sabia que podia pôr gasolina no carro e ir às compras, se quisesse, ou
  • podia pagar a conta da água ou da luz ou do telefone,
  • podia comprar gás lá para casa ou
  • podia sair e dar à minha esposa um jantar fora, nem que fosse ir comer uma pizza.
  • Podia comprar aquele brinquedo que a minha filha pedia todos os dias e com o qual sonhava em voz alta durante a noite,
  • podia contribuir para alguma causa social (como esta que recordo aqui)
  • podia investir para transformar os 100 em 200 e
  • podia deixar estar o dinheiro no bolso, continuar a sentir o seu poder, e arranjar outro dinheiro que me permitisse ir fazendo todas aquelas coisas.

 

Fiz de tudo. Umas vezes usei esse dinheiro para pagar contas, outras para “estragar” em coisas “supérfluas” mas que deixaram alguém mais feliz, contribui para causas sociais, investi o dinheiro e também decidi muitas vezes não fazer nada com ele e continuar a sentir o seu poder naquele volume confortável dentro do meu bolso.

Com todo o tipo de decisões eu obtive um efeito diferente. O facto é que, enquanto o dinheiro estava no meu bolso tinha um determinado poder, vindo do seu potencial de se poder transformar em inúmeras outras coisas.

Porém, assim que o gastava em alguma coisa, ele adquiria essa forma e já não podia adquirir outra: passou a ser uma forma de energia realizada e deixou de ser uma forma de energia potencial. Dá para entender?

Esse é o motivo pelo qual vale mais ter 100 euros  do que ter uma coisa que comprámos por 100 euros. O “valor potencial” é maior que o “valor realizado”.

a vida nao presta agarrados ao dinheiro

Reparei outra coisa curiosa vivendo a história que te contei acima: as minhas decisões acerca do que fazer com o dinheiro, estavam diretamente relacionadas com a forma como me sentia em relação a mim mesmo nesse momento. Nessa altura fiz esta descoberta espectacular:

“O que pensas em relação ao dinheiro é um espelho do que pensas de ti mesmo!”

Grande lição! Nunca mais a esqueci.

O que eu gostava mesmo de fazer com os 100 euros era, invariavelmente, comprar coisas bonitas para a minha esposa ou proporcionar algo de especial para as minhas 4 filhas: saídas, viagens, diversão, experiências. Era para aí que o meu coração estava sempre inclinado e, por isso, quando usava o dinheiro para pagar contas, comprar comida ou investir, fazia-o sempre contrariado.

Nesse processo que durou anos, descobri imensas coisas acerca de mim mesmo, enquanto ia observando a minha relação com o dinheiro tanto quando o gastava como quando o mantinha fechado no bolso das calças. Descobri por exemplo que:

  • Com dinheiro ou sem dinheiro eu não sabia dominar o dinheiro, vivia dominado pela sua presença ou pela sua falta, conforme o caso.
  • Vivia em constante sobressalto emocional por causa do dinheiro, tanto quando o tinha de sobra (e aconteceu algumas vezes) como quando não tinha que chegasse.
  • Não era um bom pai nem um bom marido porque sentia sempre que não estava a conseguir dar à minha família o que mereciam e necessitavam.
  • O facto de viver na carência e sentir a falta, me fazia gastar em frivolidades (para compensar) todo o dinheiro que conseguia juntar  e que isso me fazia sentir ao mesmo tempo contente e culpado.
  • Quando me dedicava completamente a fazer algo para ganhar dinheiro, o fazia não porque queria mais dinheiro, mas porque tinha aparecido alguma conta enorme para pagar e eu tinha entrado em modo “medo”.
  • Sim, fazia mais por medo do que por amor: mais para não perder do que para ganhar.

Eu dizia que não era ambicioso, mas na verdade o que eu tinha era medo de perder. E não ia à luta quando era preciso só para não me expor à possibilidade do fracasso. Aprendi isso à medida que ia analisando a minha relação com o dinheiro. 

Eu pensava que havia uma quantidade limitada de dinheiro e de recursos que não chegavam para todos. Cada pessoa tinha de lutar para agarrar a sua parte e quem não o fizesse passaria necessidade. Por mim o que eu mais queria era evitar envolver-me nesse tipo de luta, mesmo correndo o risco de alguém ficar com a minha parte. Ridículo, não é?

A verdade é que o dinheiro é uma forma de energia tão especial que nunca acaba. É como o sol: nunca se esgota e chega para todos aproveitarem quanto quiserem dele.

Esta noite tive um sonho que me lembrou uma história sobre este o facto de o dinheiro ser como o sol.

“Havia um homem que se aproximou da recepção de um determinado hotel para fazer o check-in.

 

Explicou que, apesar de serem somente 2 da tarde, pagaria já a sua estadia de 2 dias porque poderia ter de sair inesperadamente e queria isso tratado.

 

Entregou 200 euros (o valor da estadia) ao funcionário e foi-se embora.

 

Aquele funcionário tinha 200 euros em atraso no seu salário e perguntou ao chefe se podia ficar com o dinheiro para si mesmo.

 

O chefe respondeu que sim, que poderia retirá-lo da caixa e levá-lo para casa no final do dia.

 

Aliviado porque os 200 euros lhe faziam falta para pagar uma conta na mercearia, ligou ao vizinho merceeiro para lhe dizer que lhe iria saldar a dívida no final do dia.

 

O merceeiro respondeu-lhe:

 

– Não vale a pena vires para aqui. Eu vou dar a tua conta como paga, mas em vez de vires cá trazer os 200 euros, passa antes pelo Artur dos electrodomésticos e deixa lá o dinheiro da minha parte, que lhe devo ainda do frigorífico que lhe comprei há uns tempos.

 

O empregado do hotel concordou e ligou para o Artur dos electrodomésticos.

 

– Artur, estou a ligar-te porque tenho aqui 200 euros para te pagar a conta que o merceeiro ainda aí tem contigo. Queres que te leve o dinheiro quando?

 

Ao que o Artur respondeu:

 

– Olha, eu vou dar a conta dele como paga, mas em vez de vires aqui trazer o dinheiro, se puderes e fica-te em caminho, passa pelo João dos Móveis e deixa lá os 200 euros que eu lhe devo.

 

Pousou o telefone, e voltou a ligar, desta vez para o João dos Móveis:

 

– João, vou passar aí para te dar 200 euros do Artur dos Electrodomésticos. Queres que passe por aí quando?

 

Ao que o João dos Móveis respondeu:

 

– Não te apoquentes, eu vou dar baixa aqui da dívida do Artur, mas faz-me um favor: eu devo 200 euros aí no hotel por um familiar meu que ficou aí há uns tempos, entrega os 200 euros aí e ficamos pagos.

 

O empregado do hotel, falou com o chefe e ele aceitou o dinheiro do João dos Móveis para liquidar a conta.

 

Os 200 euros não chegaram a sair da caixa na recepção do hotel, mas pagaram a dívida salarial do hotel (200 euros), pagaram a conta da mercearia (+ 200 euros) a conta do frigorífico (+200 euros), dos móveis (+200 euros) e a dívida no hotel (+ 200 euros) . 

 

Contudo, ainda antes de terminada a tarde, o hóspede que tinha pago adiantado, entrou no hotel e dirigiu-se à recepção:

 

– Lamento, mas surgiu um imprevisto e tenho de partir imediatamente. Será que posso receber de volta os 200 euros que paguei há umas horas atrás, uma vez que não vou ficar aqui no hotel?

 

O empregado pegou no montinho de notas de dentro da caixa e entregou-lho de volta. 

 

Sem saírem de dentro da caixa, os 200 euros do homem liquidaram 5 dívidas no valor total de 1000 euros e ele voltou para casa com o mesmo dinheiro no bolso.”

 

Esta história ilustra o mesmo princípio explicado em “O Homem Mais Rico da Babilónia“de George S. Clanson: o dinheiro tem o poder de multiplicar os seus efeitos pelo simples facto de circular. Por onde passa pode fazer algo de bom. Recomendo muito que leias esse livro e também o de Napoleon Hill “Pensa e Fica Rico“, para começar.

O facto é que a libertação emocional do dinheiro é um caminho espiritual que passa por conquistar uma vida de abundância.

Não é possível uma pessoa libertar-te do dinheiro, vivendo com falta dele. É como comer: Podemos não pensar em comida e não viver a nossa vida em função da comida, mas, se não tiveres nada para comer, eu garanto-te que não pensas noutra coisa. Eu sei, já estive aí.

Porque será importante vivermos emocionalmente desligados do dinheiro? Já pensaste nisso?

Quando uma pessoa diz coisas como “o dinheiro é a causa de todos os males” ou “quanto mais dinheiro mais dores de cabeça” ou se lhe chamam nomes como “o vil metal”, essa pessoa está a manifestar diferentes formas de apego emocional ao dinheiro. Nunca traz bom resultado.

Quando ouves a palavra “Dinheiro“, qual é a tua primeira emoção: positiva ou negativa?

E como são as tuas emoções (positivas ou negativas) quando pensas em “Ganhar Dinheiro Rápido“?

Diz para ti mesmo agora e avalia o que sentes nos primeiros momentos:

Eu vou ficar rico“.

  • Como te fez sentir o facto de dizeres estas palavras? Bem ou mal?
  • Sentiste algum tipo de resistência emocional e automática?
  • Vieram-te involuntariamente à cabeça pensamentos do tipo: “mas o dinheiro não é tudo”, ou “há coisas mais importantes que o dinheiro”?

Este exercício serve para testar duas coisas:

  1. O teu nível de conexão com os teus próprios pensamentos e sentimentos. Caso não sintas nada imediatamente (sem pensar), precisas observar-te melhor. As emoções estão lá, 100% das vezes e interferem ainda mais nas tuas decisões porque não estás consciente delas. Faz sentido para ti?
  2. Caso tenhas perfeita consciência das tuas emoções automáticas, podes avaliar a tua ligação com o dinheiro (e portanto contigo mesmo) é positiva ou negativa.

Eu digo muitas vezes que o meu motivo para ser rico é ter o dinheiro suficiente para poder fazer tudo o que quero fazer sem ter de pensar em dinheiro, e é verdade.

Claro que, com o dinheiro pode vir um modo de vida em “Formato Abundância” e com ele, um monte de coisas boas: vem tranquilidade e paz, vem segurança, vem generosidade, vem harmonia (“em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”, certo?)

Pode-se viver em abundância sem ter muito dinheiro? Claro que sim, imagino eu, mas nunca achei ninguém que vivesse em abundância e não precisasse de dinheiro para viver dessa forma.

Gostaria muito de ter a tua opinião sobre o assunto do dinheiro: Podes-se viver emocionalmente desamarrado do dinheiro? Achas que é possível ou será impossível conquistar esse tipo de liberdade?

 

 

13 thoughts on “A Vida Não Presta Vivendo Emocionalmente Agarrados ao Dinheiro”

  1. Li ” O HOMEM MAIS RICO DA BABILÕNIA” que é um compêndio de sabedoria e de lições sobre como lidar com o dinheiro. Mas tu, com tuas lições incríveis, com teu filosofar diário, não ficas para trás. És um sábio.

    1. Estou contente, Julieta por apreciares o meu blog e por comentares nele. Até agora qual foi a ideia ou o artigo que mais fez sentido para ti? Queres partilhar?

  2. Obrigado pelo teu comentário e pelo valor que ele acrescenta aqui no blog. Comenta mais vezes e diz tudo o que te vai na alma. Quanto ao tema do artigo, o pânico de estar a ver o dinheiro a acabar porque te recorda o tempo em que não tinhas, assim como a felicidade que sentes quando pensas em ter dinheiro são na realidade emoções de apego, tanto ao dinheiro como à falta dele. É precisamente essa a minha experiência e é esse o assunto do artigo. Viver emocionalmente livre do dinheiro começa por ter o suficiente para não termos de pensar nele nem sentir emoções em relação a ele. Isso liberta-nos para perseguirmos as coisas que realmente são importantes para nós.
    Qual a tua opinião?

  3. Bom acabei de ler este artigo, e é o primeiro que leio no teu Blog e devo dizer que não só adorei o que escrevestes como me identifiquei e muita com muitas coisas que escrevestes.
    A falta de dinheiro tem sido uma constante praticamente a minha vida toda e não estou a referir a falta de dinheiro para gastar em coisas “supérfluas” mas sim nas coisas realmente importantes, coisas que iriam reflectir na evolução ou não da minha vida. Esta carência, digamos assim, fez-me adquirir um verdadeiro “respeito” pelo dinheiro bem como a magnitude do seu potencial. Ter dinheiro para mim, é a capacidade de fazer tudo quero e sempre quis sem nunca estar constantemente a pensar no que eu gastei mesmo, de bom grado, mas ao mesmo tempo me sentindo culpada.
    Eu me identifiquei bastante com o que escrevestes “Com dinheiro ou sem dinheiro eu não sabia dominar o dinheiro, vivia dominado pela sua presença ou pela sua falta, conforme o caso.” Nos últimos dois anos vivi num estado de ansiedade e pânico constantes por não saber dominar o dinheiro quando o tinha ou lidar com a sua falta quando não tinha.
    Neste momento procuro essencialmente libertar me deste efeito que o dinheiro tem sobre mim e aproveitar os bons momentos quando aparecem sem pensar no dinheiro o tempo todo. Bom, esta é a minha experiência com o dinheiro.
    OBS: Disse tudo o que me vinha na alma

    1. Luz, muito obrigado pela tua partilha e pelo facto de teres comentado logo o primeiro artigo que leste.
      Escrevi este artigo no sentido de inspirar outras pessoas a começarem a ter mais dinheiro e ao mesmo tempo a libertarem-se emocionalmente dele, na realidade é o que eu faço atualmente na maior parte do meu tempo: ensinar mais pessoas a ganharem mais dinheiro, o suficiente para não terem de pensar mais nele, como indico neste outro artigo: http://www.blogderuigabriel.com/como-ter-dinheiro-suficiente-para-nao-ter-de-pensar-nele/
      Vou contactar contigo por email para conversarmos um pouco. Quem sabe se não te poderei ser de utilidade neste capítulo, como tenho sido a tantas outras pessoas. Está bem?

  4. Rui meu amigo o problema que não o dinheiro para começa este negócio, se tivesse este dinheiro já teriam começando a 2 anos atraz estava igual a você, não tenho como consegui este dinheiro meu amigo
    Abraços

    1. Olá Wilson. Vou ser muito direto contigo. Ninguém tem dinheiro sobrando, ganhando pó, mas todas as pessoas de sucesso arranjaram uma solução.

      Se não tens muito dinheiro, tens pouco. Se não tens suficiente para arrancar, tens suficiente para poupar um pouco e um dia poderás começar.
      Costumo dizer: “QUEM NÃO TEM DINHEIRO, TEM UM PLANO”.
      Recomendo que leias o livro “O Homem Mais Rico da Babilónia”. Podes encontrar provavelmente no google
      Abraço amigo.

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