A sétima coisa de que precisas para ser livre é Abdicar Da Liberdade de Escolha, Escolhendo.

Esta sétima coisa  tem o nome de “compromisso” e é um paradoxo incrível: proporciona-nos liberdade, pelo facto de limitar a nossa liberdade. Muito interessante!

Talvez seja pelo facto de a Liberdade ter este paradoxo que não há mais pessoas livres. Toda a gente pensa que é livre quem pode escolher agora o que quer agora e que, se não o puder fazer não é livre. Quero dizer-te que essa é uma mentira.

Vou dar-te um bom exemplo:

Como parte do meu desejo e objetivo de perder peso, decidi ir ao ginásio 3 dias por semana. Tomei essa decisão livremente com o intuito de me livrar da pobre condição física que me impede de fazer coisas que quero fazer.

Porém no dia seguinte, no horário de ir ao ginásio, estou aborrecido, com baixa energia e não me apetece ir.

Serei mais livre escolhendo não ir, ou escolhendo ir mesmo que não me apeteça?

Eu acredito que serei mais livre se tomar uma decisão congruente com o meu plano de vida e com a decisão maior que tome anteriormente.

Se decidir não ir estarei a ir contra a minha escolha anterior, que me irá proporcionar mais liberdade de fazer mais coisas que realmente quero, mas que a minha atual condição física não permite.

Indo contra as minhas prioridades não estou a ser livre.

Quando oferecem a uma criança a opção de ter um chocolate agora ou 3 chocolates amanhã e ela bem que queria os 3 chocolates (escolha pelo bem maior) mas não resiste ao chocolate que lhe estamos a mostrar agora mesmo, e escolhe contra aquilo que realmente queria.

A capacidade de “adiar a recompensa” alinhando as opções com as prioridades, além de ser uma prova de maturidade emocional é igualmente um exercício de liberdade.

Este mecanismo tem o nome de, já percebeste, “compromisso”.

Pelo que me apercebo, a grande maioria das pessoas não sabe exactamente o que é e por isso têm vidas tão complicadas.

É uma das melhores ferramentas emocionais e mentais que o ser humano tem à sua disposição.

Permite-lhe tomar uma decisão ponderada, e depois tomar inúmeras outras decisões em piloto automático, sem ter de pensar nelas porque são consequência da decisão já tomada.

Confuso? Vou dar-te um exemplo:

Eu sou casado há 25 anos. Um dia tomei a decisão de casar com a minha esposa Melissa, ela disse que sim.  Daí para a frente não precisei de voltar a tomar a decisão se realmente ela é a mulher com quem eu quero viver, porque essa decisão já está tomada. Não preciso de pensar se vou ou não passar tempo com ela, se vou ou não ter outras mulheres, se vou ou não estar do seu lado nos momentos bons e maus.

Todas estas decisões já foram tomadas há muito tempo e não voltei a pensar nelas. Abdquei livremente da minha liberdade de escolha quando escolhi esta mulher.

Sei que há uma taxa de uns 50% nos divórcios e por isso nem todos concordem com a minha experiência acima, mas não é para concordarem é para a conhecerem.

Talvez este outro exemplo seja mais óbvio para mais pessoas:

  • Eu iniciei um negócio próprio (aqui) que requer algum dinheiro, algum tempo, algumas deslocações. Posso ter demorado algum tempo a ponderar acerca do negócio, se o ia fazer ou não. Mas, no mesmo momento em que tomei a decisão de o fazer abdiquei da liberdade de escolher investir ou não dinheiro, tempo e competências. Isso é um dado adquirido que não requer nova decisão.
  • Posso escolher como vou investir essas coisas, mas nunca se o vou fazer porque é claro que vou. Abdiquei da liberdade de escolher quando decidi que o ia fazer.
  • Posso escolher comer o bolo ou posso escolher guardá-lo, mas, depois de feita uma escolha deixei de ter a liberdade de escolha.
  • Tenho 100 euros no bolso, que têm o potencial de se transformarem em muitas coisas: sapatos, variados tipo de comida, idas ao cinema e pipocas com companhia, roupa, gasolina, diversão… És livre de transformar esse dinheiro em todas aquelas coisas e em muitas outras, porém no momento em que compras uma delas, deixas de poder optar por qualquer uma das outras. No acto de escolheres, abdicaste voluntariamente da liberdade de escolha.

E neste “abdicar da liberdade” exercendo a liberdade reside o tal paradoxo que impede muitas pessoas de conseguirem realmente o que desejam.

Elas pensam que continuam a ter liberdade de opção sempre, em relação a tudo e, porque pensam assim, andam constantemente a tomar decisões contraditórias e a começar tudo do zero.

Decidem que querem deixar de fumar todos os dias e isso é demasiado penoso. Naturalmente um dia vão decidir que não querem mais lutar contra a decisão de fumar ou não.

Não seria muito mais simples, tomar a decisão e não voltar a pensar no assunto? (foi assim que deixei de fumar: troquei o tabaco por uma bicicleta e decidi que em vez de fumar ia pedalar durante uma hora ou duas todos os dias.)

  • Decidem que querem perder peso e fazer dieta ou ir ao ginásio, mas depois têm de voltar a tomar essa decisão todos os dias.
  • É natural que em alguns deles não apeteça e que, se a decisão for tomada nesse dia, que o ginásio fique para trás.
  • Mas é muito mais eficaz e muito mais fácil tomar a decisão uma vez e nos dias seguinte não ponderar sequer a possibilidade de ter de decidir de novo.
  • Decides se vais de carro ou de boleia, podes decidir se fazes este ou aquele exercício, mas nunca poderás voltar a ter de decidir se vais ou não vais porque essa decisão já a tomaste há muito tempo.

Se pensares um pouco provavelmente passaste uma boa parte da tua vida em avanços e recuos, no engano de que estavas a exercer a tua liberdade, quando na realidade estavas somente voltar a ter de decidir sempre as mesmas coisas e a começar sempre tudo do zero.

Não faz mal ser imaturo, é ótimo de vez em quando.  Também não faz mal decidir constantemente as mesmas coisas em avanços e recuos, mas precisas tomar consciência das consequências das coisas, do tempo, dinheiro e energia que desperdiças pensando que estás a ser livre quando provavelmente estás somente a ser influenciado por alguém que tem todo o interesse em manter-te escravo, e, de preferência continuando a pensar que és livre.

Quero que escrevas isto num papel e o coloques à tua frente: O Compromisso é o mais poderoso exercício da Liberdade.

Já está?

A oitava coisa de que precisas para ser livre é Apreciar o Preço Que Se Paga Pela Liberdade.

 

(<<- Ir Para o Início da Série) (Continua Aqui ->)

 

3 thoughts on “Abdicar Da Liberdade de Escolha, Escolhendo.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.