“Eu sou ateu, a minha mulher é a-tua.” Autor: ateu que quis manter o anonimato por razões óbvias.

Parece-me que as convicções são como a comida, querem-se variadas e coloridas.

Eu hoje sou ateu e, como todos os ateus que conheço, sou bastante espiritual. Eu chamo “espiritual” àquilo a que esses meus amigos chamam “humanista”, porque não tenho preconceito contra a palavra “espírito”. Em todo o caso falamos do mesmo: dos valores da liberdade, e não só do livre arbítrio, da generosidade, do desenvolvimento do indivíduo e da procura da felicidade.

Não são estas alguns dos principais valores cultivados por qualquer indivíduo?

Ateu ou não, qualquer pessoa se espanta com a capacidade humana e com as suas realizações.

Eu não me preocupo muito com a minha inteligência.Tenho isso de sobra porque tenho uma coisa em comum com o Einstein. Também tenho algo em comum com o Brad Pitt, e por isso não me preocupo com a beleza porque também sei que tenho resmas dela. O meu dinheiro não é problema porque tenho algo em comum com o Bill Gates, assim como a minha capacidade de compaixão que partilho com o meu conterrâneo Siddartha (mais conhecido pelo título de “Buda”); também conto entre as minhas melhores qualidades com um talento especial para me maravilhar e entender a natureza do universo, uma vez que tenho uma costela de Hubble e outra de Carl Sagan (um grande colega ateu).

O que eu tenho em comum com esta gente toda é o facto de, como todos eles, eu ser gente.

O meu cérebro não tem menos neurónios, o meu ADN é 99,999% idêntico, o número de ossos e músculos é exactamente igual, tenho acesso exactamente aos mesmos conhecimentos e até mais (o Einstein, o Hubble e o Carl Sagan já não conseguem ler grande coisa nos dias que correm, o Siddartha é um caso aparte), e tenho a possibilidade de aprender com eles, coisa que eles mesmos não tiveram a oportunidade de fazer.

Então o que é que me limita? Nada, a não ser eu mesmo.

Quando eu finalmente compreender que, sendo ateu (que não sou), partilho da mesma natureza metafísica com toda a humanidade saberei que não existem limites e que eu, homem, ou mulher, pai ou mãe de família, jovem ou reformado, classe média, alta ou baixa, a ler este post neste momento, não sou nada mais e nada menos que o Ghandi, o Einstein, o Cristiano Ronaldo, o Bill Gates, o Brad Pitt, o Barack Obama, o Papa, o Dalai Lama, a Amália Rodrigues, D. Afonso Henriques, Pélé, ou outro bacano qualquer, colega humano.

Tens todos os arquétipos dentro de ti.

Sê todos e cada um.

Podes desenvolver cada um e ser quem tu quiseres. Muito divertida esta dança dos arquétipos.

E pronto, agora que já fui ateu por um bocadinho, vou ser a partir de agora cientista e vou ler um livrinho que aqui tenho intitulado “Buy.ology – A ciência do neuromarketing”. Amanhã serei Michael Phelps e vou dar umas braçadas na piscina.

É que ser o Rui Gabriel, todos os dias, todo o dia pode ser cansativo.

Ainda por cima ressono.

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