“Não conheço maior paradoxo que este: abdicarmos da vida para ganharmos a vida.”

Aprendi recentemente com um dos meus professores que o dinheiro vem até nós debaixo de variadas formas: Residuais, Lucro e Salário.

Não quero falar aqui, por enquanto, das duas primeiras, até porque as pessoas que obtêm rendimentos assim quase se contam pelos dedos. Vou falar somente do Salário, a única fonte de rendimento de mais de 80% das pessoas produtivas e, provavelmente, a tua também.

Salário: o rendimento que obtemos em troca do nosso tempo executando tarefas.

Não posso falar mal desta forma de remuneração, até porque ela é responsável pela sobrevivência da maior parte das pessoas. Mas tenho de pensar um pouco sobre o assunto.

Existem alguns bem preciosos que nós, enquanto humanos, possuímos. Se pensares um pouco, consegues identificar esses bens, os mais preciosos de todos. Provavelmente começas pela Saúde, depois Família e/ou Amigos, depois os Bens Materiais, incluindo o Dinheiro. Contudo, talvez te estejas a esquecer do teu bem mais precioso de todos, sem o qual nenhum dos outros faz o menor sentido: o Tempo.

O tempo é absolutamente limitado. O que tu fazes com o teu tempo estabelece o tamanho real da tua vida. Se fosses acusado e condenado de um crime qualquer e passasses 4 anos da tua vida na prisão, não dirias que te roubaram 4 anos da tua vida?

Quando havia escravatura, essa prática odiosa, os escravos eram mantidos a trabalhar, sem salário, em troca de comida e condições mínimas de sobrevivência, incluindo um local para dormir, condições mínimas de higiene e cuidados médicos básicos que garantissem um mínimo de saúde para que o escravo continuasse a trabalhar. Os filhos eram bem-vindos porque representavam mais mão-de-obra para o senhor.

Pensa um pouco. Se tens um emprego, e recebes um salário que te permite pôr comida na mesa, pagar as contas da electricidade, gás, telefone, renda de casa ou empréstimo bancário, carro, gasolina, saúde básica para a tua família e, chegando ao final do mês, todo o dinheiro se foi, não tens mais liberdade que um escravo do século dezoito.

Há uma pequena diferença: ele sabia que era escravo e tu pensas que és livre.

Agora imagina que passas 45 anos a trabalhar para um patrão (ou vários) e te dás por muito satisfeito porque conseguiste criar os filhos e sustentar a família. Tens doenças que nunca mais acabam, adquiridas por décadas de abnegação e dedicação. Finalmente és senhor do teu tempo, mas não és senhor nem da tua saúde, nem da tua família, forçada agora a ser escravizada em teu lugar, nem do teu dinheiro, porque desde que deixaste de vender o teu tempo deixaste de receber o teu salário.

Não é muito animador por não? Vendeste a tua vida toda, o teu tempo, a tua saúde e família em troca de coisas básicas como comida e condições mínimas de vida.

Fica sabendo que mais de 80% de nós, humanos, suficientemente felizes por terem um emprego e um salário, correm numa roda de ratos, desenhada para não os deixar ser livres.

Ser livre, antes de mais nada, é seres dono do teu próprio tempo que é o teu bem mais precioso. Depois poderás conquistar os teus outros tesouros: a saúde, a qualidade de vida com a família e amigos, e os bens materiais de que necessitas e mereces. Mas o mais importante, e primeiro, é o tempo.

Parece que estou a ler o teu pensamento agora mesmo: “Ai, ai, é verdade! E agora?”

One thought on “Dono do Tempo”

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