“A fé é um conhecimento que surge no coração, fora do alcance das provas.” – Kahlil Gibran

Ontem sentei-me por uma hora avaliando um determinado aspecto da minha actividade. Voltei a ler e a ouvir alguns dos meus professores no que respeita a esse assunto e um deles disse-me: “avalias o valor das tuas acções pelos resultados que elas produzem.”

Fiquei a pensar nesse assunto e não me pareceu fazer muito sentido.

  • Um agricultor cava a terra com muita dificuldade. É trabalho duro. No final do dia chega a casa e a mulher pergunta-lhe: “Então? Trazes batatas? “ ao que ele responde: “Não.”
  • No dia seguinte, volta para a terra, alisa-a, retira as raízes e abre sulcos. Ao final do dia chega a casa e a mulher pergunta-lhe: “Então? Trazes batatas?” e ele responde de novo: “Não”.
  • Depois de dormir, o sol levanta-se e com ele o agricultor. Vai até à sua terra, coloca as sementes na terra, cobre-as com estrume (sim, estrume, não fertilizante químico, ele é um bio agricultor) e cobre-as com cuidado. Chega a casa à noite e a mulher pergunta-lhe: “Então? Trazes batatas?” e ele, muito desanimado, volta a responder “Não”.
  • Depois passa os dias cuidando da sementeira. Arranca as ervas daninhas, verifica se as plantinhas novas não se queimam com o frio, que os fungos não as matam, que os ratos não roubam as sementes debaixo da terra. Passam as semanas e, a cada serão, a mulher pergunta: “Então? Trazes batatas?” e o agricultor responde: “Não.”

Se ele fosse novato, sem experiência e não tivesse ninguém ao seu lado para lhe explicar a natureza das coisas, poderia ter desistido logo no terceiro ou quarto dia e abandonado a cultura. Se, depois de um mês fosse avaliar os seus progressos olhando para a tulha vazia, teria de concluir que as suas acções não deram nenhum resultado e portanto, as suas acções estão erradas.

Como é possível avaliar as minhas acções pelos resultados, antes de ter os resultados?

Como saber se estou a fazer as coisas certas, mesmo olhando para a tulha vazia e para a mulher a torcer o nariz e a perguntar pelas batatas?

Precisas da fé que vem do conhecimento do coração, que vê para além das evidências. É este conhecimento que te diz que, a seu tempo, colherás os teus frutos e encherás a tulha de batatas. Mas até lá, faz o teu trabalho, diariamente, e ouve com paciência e compreensão quem te pergunta por resultados.

Contudo não sejas ingénuo ao ponto de pensar que qualquer que seja a tua actividade terás resultados esperados! Não!

Se semeares relva não colherás batatas. Se colocares as sementes a 1 metro de profundidade não nascerá nada. Podes até matar-te a cavar, mondar, sachar, regar, mas se a semente não prestar vais passar fome.

Por isso precisas de um sistema e de um mentor. O primeiro ensina-te o “que” fazer. O segundo ensina-te o “como” fazer e dá-te uma perspectiva realista em relação aos resultados. Ele tem a experiência.

Assim a fé que precisas não é tão grande. Não é como lutar contra todas as probabilidades, não. É mais como seguir um caminho e aguentar as agruras com paciência, entusiasmo e determinação.

Referi no início que estava a avaliar a minha actividade e, vê bem onde essa reflexão me levou. Vou verificar com os meus professores a ver se algum deles tem uma ideia mais realista e justa de avaliação que não seja somente pelos resultados aparentes.

Já venho.

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