“És livre, escolhe, ou seja: inventa.” – Jean Paul Sartre

Escolher e inventar não são, todavia, sinónimos. Se tens várias opções podes escolher uma ou outra ou várias. Podes até escolher não escolher nenhuma.

O importante é que aderes ou não a algo que está fora de ti, apresentado por outras pessoas ou pelas circunstâncias.

É óptimo ter escolhas e isso dá-nos realmente a sensação de que somos livres.

Penso que não falharei muito se disser que a maior parte das pessoas fica satisfeita se tiver opções.

No meu trabalho de design gráfico tenho por hábito apresentar uma só proposta ao meu cliente. Muitas vezes essa proposta é mesmo a única que fiz, outras vezes faço várias, mas apresento sempre uma somente. Os clientes não gostam disso porque preferem ter pelo menos duas. Dá-lhes a sensação que eles estão no comando o facto de poderem escolher uma e descartar a outra. Se tiver somente uma opção sentem que, se a aprovarem, estão a ser guiados por mim e que isso de algum modo lhes retira liberdade.

Somos todos assim.

Se não temos alternativas ficamos nervosos.

Precisamos de 2 ou 3 preços para o mesmo produto, e, se for preciso, vamos a três lojas diferentes. Primeiro dia no emprego, precisamos que nos digam o que fazer e como, passo a passo, mas queremos escolher alguma coisa: ou o que fazer primeiro, ou quando iniciar, ou a velocidade a que o fazemos, ou outra coisa qualquer.

Essa é a nossa ilusão de liberdade e autonomia.

Uma jaula de barras invisíveis.

Podes funcionar assim, isso é normal e “normal” é bom.

Podes também agir sobre as oportunidades e ultrapassá-las, mungir a vaca até ela secar, levar uma alternativa até às últimas consequências.

E isso é liberdade.

  • Aprecias, escolhes, ages e levas até ao limite e mais além.

  • Estás a realizar o teu potencial, a tirar de dentro de ti tudo o que precisas.

  • Vais tornar concreto o valor que tens transformando-o em acções.

  • Vais “Realizar-te” nas coisas, tornar-te “real”.

Quem faz isto, realmente está a mostrar que os limites podem ser esticados, que a jaula é tão grande que não faz realmente diferença se tem barras visíveis ou invisíveis ou não tem barras nenhumas.

Por isso quem inventa alternativas onde elas não existem e novos limites para todos os desafios é uma pessoa verdadeiramente livre.

Vamos dar um pouco de prática a esta teoria.

Um exemplo: Tens um chefe prepotente que precisa de afirmar o poder que tem humilhando os empregados. A ti, por exemplo. Ele grita contigo para fazeres algo que tu já irias fazer de qualquer maneira. Fulminas o homem com os olhos “quem é que ele pensa que é”. És colocado diante da opção “fazer ou não fazer”. A hipótese “não fazer” é afastada rapidamente quando pensas na prestação da casa. Só te resta cumprir. Contudo vais arranjar uma forma de executar a tarefa o mais possível ao teu jeito, mesmo que saibas que isso poderá não agradar. Estás limitado pela figura do teu chefe. Ele está a interferir na tua performance pelo simples facto de estar presente na tua cabeça e nas tuas emoções.

Podes todavia não aceitar jogar esse jogo.

Tu sabes o que tens de fazer e fazes, superando-te a ti mesmo, colocando o teu melhor talento e esforço em cada pequeno detalhe. O chefe? Queres lá saber do chefe! Ele não tem qualquer poder sobre ti enquanto fazes 3 vezes melhor do que seria esperado.

Esticaste o teu limite e o limite de todos.

Provaste muitas coisas a ti mesmo e a todos os outros, mas a principal foi que ninguém é teu superior que és livre de fazer o teu melhor.

Um aparte, mas a propósito:

Um dia Buda e os seus discípulos estavam de passagem por uma aldeia e uns camponeses começaram a insultá-lo. Ele andava sempre sorridente e assim continuou o seu caminho enquanto os seus discípulos o seguiam resmungando. Depois de saírem da aldeia um dos discípulos perguntou-lhe: “- Mestre, como podes continuar a sorrir depois de teres sido insultado com tanta violência? Não ouviste os insultos que as pessoas proferiram contra ti?” – Buda respondeu: “- Se alguém vier com um bolo para te dar de presente e tu não o aceitares, a quem pertence o bolo?” o discípulo respondeu: “-Àquele que trouxe o bolo”. Então Buda concluiu: “- Se não aceitares no teu coração a maldade dos outros, ela fica com quem a tem e não tem poder sobre ti”.

Há sempre uma estrada positiva, uma alternativa entusiasmante.

Se aparentemente não houver… inventa-a.

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