“O cinismo é a ferrugem da alma.”

Quem nunca tentou e quem nunca falhou não é cínico. O cinismo vem da incorporação do fracasso na alma. E o fracasso vem de, pelo menos, uma tentativa.

Eu aprecio os cínicos porque pelo menos tentaram, ao contrario dos apáticos que nem isso fazem.

Em todo o caso, não basta tentar é preciso saber que todas as tentativas são um processo. Os fracassos, assim como as vitórias, fazem parte desse processo. Nunca nada está terminado.

Por isso, enquanto os aprecio, sinto pena das suas almas cobertas de ferrugem. Lá dentro está uma luz fenomenal, mas a capa de ferrugem não a deixa brilhar.

Dizem:

“Tu é que não passaste o que eu passei”. “Se tu soubesses… “, “Agora não
vale a pena”.

Um cínico não foi sempre assim. Em criança tinha as suas ambições e sonhos, cresceu com projectos e desejos. Mas um dia tomou uma decisão: trocou alguma paz de espírito em troca da sua fé. Quando alguém deixa de lutar, de repente parece que tudo fica bem. Quando desistes de algo, podes ter a sensação de que “acabou a batalha”. Mas não. Está agora a começar uma outra: a falta de fé em ti mesmo, no mundo e nos outros vai-te enferrujando a alma e começa a tapar o seu brilho.

Talvez conheças alguém assim. O que é que podes fazer por ele? Acho que nada, a não ser ficar por perto, mas não demasiado perto, mostrando-lhe pelas tuas acções e resultados que ele talvez possa ter uma nova oportunidade.

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