“Tínhamos muito frio mas não tínhamos fósforos para acender a lareira. Lembro-me de estar à espera que a galinha pusesse um ovo para ir à mercearia trocá-lo por uma caixa de fósforos de três tostões.” – A minha mãe

A heroína desta história, contada ontem pela minha mãe, é realmente a minha avó. Tudo o que ela tinha eram 8 filhos, um marido doente, acamado, despensa vazia e água no cântaro.

Uma das frases que a minha mãe, criança, se lembra de a ouvir dizer, em surdina, depois de todos estarem deitados era: “mas o que é que eu hei-de dar de comer a esta gente amanhã?”. Apanhava as vagens das favas ainda vazias porque não podia esperar que as favas se formassem, e cozia-as com feijão.

Quando havia alguém doente a panaceia universal era um copo de água com açúcar… quando havia açúcar. Era uma sorte a minha avó conseguir 250 gramas, e, quando conseguia, a minha mãe roubava algum, embrulhava-o num papel de jornal e ia esconder-se para lamber o jornal. As crianças fingiam dores de cabeça para receberem os mimos e a água açucarada. Nem as terras de cultivo produziam, era preciso cavar uma propriedade inteira para conseguir algumas medidas de batatas que pouco tempo duravam.

Se tens filhos e alguma vez precisaste de fazer algo por eles e não encontraste um meio, imagina a coragem da minha avó, como a alma dela deve ter sofrido naqueles anos, e o quanto ela terá confiado na providência para prover para a sua família.

A minha avó era muito religiosa e gostava da história dos lírios do campo e dos passarinhos do céu (Mt. 6, 26-31) que eu ouvi muitas vezes da boca dela, já velhinha.

Todos os nossos problemas são uma questão de percepção.

  • Pensas que o mês é comprido? Não, o teu salário é que é curto.
  • Pensas que não aguentas mais a pressão? Mas as coisas ainda nem começaram a aquecer!
  • Queixas-te de tudo e mais alguma coisa? Ainda não viste o quanto negras as coisas podem ficar, nem fazes ideia!

O que importa não é se tens ou não necessidades, se tens ou não problemas. O que importa é o que é que tu estás a fazer a esse respeito.

Tu não és nem mais nem menos que a minha avó. Tens a mesma capacidade de lidar com a adversidade e encontrar soluções desde que não te fiques pelos queixumes.

Eu, por mim, sou obrigado a agradecer tantíssimas coisas espectaculares que me acontecem e tanta abundância. Os meus problemas, tão grandes que me pareciam ontem, hoje estão reduzidos à sua real insignificância e não posso deixar de estar emocionado e agradecido por tantas coisas boas que encontro diariamente no meu caminho.

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