Falando de Sucesso e de Felicidade, a maioria de nós, humanos, passa pela vida sem ter algumas noções básicas do que traz uma coisa e outra.

À medida que ia conquistando ambas e ia entendendo coisas que não entendia antes, fui tomando notas.

Um dia juntei as peças e escrevi esta parábola. Ela mostra 90% do processo do sucesso e da felicidade:

Havia uma floresta densa que era atravessada por uma estrada. Como era a única forma de chegar ao outro lado, evitando uma volta de dezenas de quilómetros, esta estrada era frequentada por todos os que tinham muita pressa mas pouco medo.

Havia perigo de ladrões e animais selvagens nas passagens estreitas entre penhascos e as três velhas pontes de pedra e madeira solta sobre o rio revolto que poucos tinham coragem de atravessar.

Mais ou menos a meio caminho entre as primeiras e as últimas árvores, numa curva da estrada, um vendedor montava a sua bancada de madeira. Ali passaria o dia na companhia do seu filho mais novo, de 10 anos.

Em cima da bancada, e espalhada pelo chão em redor, a mercadoria exposta: pedras de todos os tamanhos e feitios apanhadas por ele e pelo filho no penhasco e no rio próximos.

 

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Havia umas do tamanho de abóboras gigantes, colocadas no chão.

Outras como a cabeça do vendedor.

Algumas no chão, outras sobre a bancada, uma grande quantidade de pedras mais pequenas por ali espalhadas e vários montes de cascalho, dispostos em cones por tamanhos.

Havia pedras rudes, caídas do penhasco vizinho, outras redondas e macias, apanhadas no leito do rio, outras, de todas as formas imagináveis, colhidas no interior de algumas grutas vizinhas.

Passou um viajante numa carroça velha puxada por dois cavalos cansados, olhou para a bancada e escolheu uma pedra.

– “Levo esta. Dou-te 2 moedas por ela”.

O vendedor pegou na pedra com ambas as mãos, como se fosse uma mercadoria delicada, e estendeu-a ao viajante, com uma vénia subtil. Em seguida guardou o dinheiro. Ao lado, o filhote, sentado no chão brincava com um carreirinho de formigas.

Pouco depois surgiu na curva apertada um outro viajante, com uma mula bem carregada. Parou diante da bancada, olhou demoradamente para as pedras, apanhou uma, bem grande, do chão e sorriu.

– “Dou-te 30 moedas por esta pedra.”

O vendedor, acenando que sim, estendeu-lhe a pedra da forma meio cerimonial como tinha feito com a primeira. O homem pôs a pedra em cima do animal e prosseguiu o seu caminho.

Uma hora depois apareceu um outro. Ainda longe, identificou a banca e dirigiu-se com um passo um pouco mais acelerado para ela. Quando chegou, olhou para a banca, para as pedras, para o vendedor e o seu filho, e desatou a rir.

-”O que é isto? Pedras? Tu vendes pedras? Mas quem é que compra pedras? Ahahaha!”

E, enquanto dava meia volta e regressava ao seu caminho ainda murmurou: “… há cada maluco neste mundo!…”

 

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O dia ia avançando, mas ainda antes do crepúsculo surgiu um outro viajante. Parou na frente da bancada olhou um pouco para as pedras espalhadas e, num segundo, os olhos brilharam com intensidade. Depois quase lhe saltaram das órbitas.

-”30 mil. Dou-te 30 mil moedas por esta pedra! Eu sei que vale muito mais, mas é tudo o que tenho. Acabei de vender todas as minhas posses e tenho aqui todo o meu dinheiro. Por favor vende-me essa pedra!”

O vendedor, tranquilo, sorriu, pegou na pedra com cerimónia, como anteriormente, e estendeu-lha para que a levasse. Depois guardou o dinheiro e começou a arrumar a banca. O dia chegara ao fim.

A caminho de casa o filho, que tinha estado calado todo o dia, ali, aparentemente distraído com as brincadeiras, perguntou ao pai:

-”Pai, porque é que vendes pedras?”

O pai, de poucas palavras respondeu:

– “Porque há pessoas que as compram, filho.”

Não satisfeito com a resposta o garoto insistiu:

-”E porque é que as pessoas as compram?”

– “Não sei.”

-”E porque é que algumas dão tanto dinheiro por uma pedra, outras dão menos e outras ainda, além e não comprarem nenhuma, ainda brincam e gozam contigo por venderes pedras?”

– “Também não sei, mas, se és assim tão curioso, quando os viajantes regressarem, pergunta-lhes.”

 

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No dia seguinte a criança não se sentou no chão como de costume, olhava para a curva da estrada à espera, ansiosa pelo regresso dos viajantes.

Mais viajantes passaram, alguns compraram pedras, dando diversos valores, outros não compraram nenhuma, outros riram e gozaram.

Todos os dias, a criança ali ficava, de olho na curva da estrada, esperando o regresso dos viajantes para lhes fazer a pergunta.

Um dia, viu 2 cavalos cansados ao longe, lado a lado, que regressavam pelo mesmo caminho por onde haviam desaparecido vários dias antes. Reconheceu-os pelo andar lento e pesado, e pelas cabeças abaixadas pelo esforço. A seguir aos cavalos viu o chapéu de um homem e descortinou as rodas primeiro e em seguida o resto da carroça, que reconheceu.

O primeiro viajante a regressar foi o que tinha pago 2 moedas pela pedra que levara. O miúdo chamou-o para junto da bancada e perguntou-lhe:

-”Porque é que compraste uma pedra ao meu pai por duas moedas?”

-”Eu fui visitar o meu primo, lá na cidade velha e, sempre que lá vou tenho um problema com a carroça porque a casa dele fica numa subida íngreme. Os cavalos ficam cansados de estar ali parados a aguentar o peso da carroça na subida, enquanto esperam que eu termine a visita. Vi a pedra e achei que era um calço perfeito para colocar debaixo de uma das rodas. Assim o peso da carroça recai sobre a pedra e alivio os pobres cavalos. Funcionou na perfeição, as melhores 2 moedas que já gastei.”

O miúdo deu-se por satisfeito e o viajante retomou o seu caminho. Passadas que foram algumas horas regressou o segundo viajante, o que tinha pago 30 moedas pela pedra, vinha ligeiro e montado na sua mula.

– “Senhor! Senhor! Posso fazer-lhe uma pergunta?”

Quando o viajante se aproximou ele continuou:

“- Porque é que compraste ao meu pai uma pedra por 30 moedas?”

“- Porque vou casar no próximo ano e preciso construir uma casa. Aquela pedra que comprei era perfeita para o ângulo da soleira. Já quase tinha desistido de achar tal pedra, mas quiseram os deuses que a achasse aqui. Estou muito feliz pois já posso prosseguir com a construção.”

A criança acenou, satisfeita, e o homem prosseguiu o seu caminho.

Um pouco depois surgiu na estrada o viajante irónico. O que rira do seu pai e o chamara “maluco”. Quando o rapaz o chamou ele aproximou-se curioso e divertido.

“- Porque é que ontem se riu do meu pai e do seu negócio de vendedor de pedras?”

O homem respondeu:

“- Onde já se viu vender pedras à beira da estrada?! Se fosse vinho ou comida para saciar os viajantes, ainda vá, mas quem é que quer comer pedras! Que ideia mais ridícula!”

 

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O rapaz agradeceu e o homem partiu.

Ao final do dia, quase ao entardecer, regressou o quarto viajante, o que tinha entregue todas as suas posses por uma pedra. Surgiu montado num carro puxado por seis cavalos brancos e, atrás dele, uma comitiva formada por carroças carregadas de bens, e um séquito de criados, músicos, bailarinos e bailarinas. Parecia uma festa ambulante cheia de riqueza cor e alegria.

Quando o rapaz o chamou, o homem abriu um sorriso de orelha a orelha, mandou parar a procissão, saltou do carro com dois grandes sacos nas mãos e foi ter com ele e seu pai. Quando chegou ao pé deles o miúdo, ainda deslumbrado, perguntou:

“- Porque é que pagaste ao meu pai 30 mil moedas por uma pedra, quando outros viajantes tinham pago muito menos, e um deles até zombou do meu pai por estar a vender pedras?”

O homem que não parava de sorrir, respondeu:

“- A pedra? E que pedra! Eu negoceio em pedras preciosas mas o negócio não estava a correr bem e por isso tinha desistido, vendido tudo e ia regressar a casa dos meus pais, depois de 30 anos de ausência. A pedra que comprei ao teu pai é o maior diamante bruto que alguma vez alguém viu, valia 3 vezes o que paguei por ela e, depois de lapidado, vale mil vezes mais. Contratei o melhor lapidador da região e vendi o diamante.

Hoje sou mais rico que o rei e quero pagar ao teu pai o que não podia pagar quando a comprei: aqui estão estes dois sacos de moedas. O favor que ele me fez vendendo-me a pedra somente por 30 mil moedas e ter confiado em mim, é um favor que nunca poderei pagar.”

 

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O rapaz estava com os olhos arregalados. Dos sacos meio abertos em cima da bancada caiam moedas de ouro. Com um agradecimento o homem prosseguiu o seu caminho com a música e a dança atrás dele. Depois de terem passado, os sons continuaram a ouvir-se, ecoando na floresta, durante muitos minutos.

Com os sacos de ouro arrumados no alforge, o pai do rapaz começou a desmontar a bancada. O garoto estava ao mesmo tempo exuberante com tanta riqueza e confuso. No caminho de casa disse:

“- Pai, perguntei aos homens porque tinham comprado as pedras e continuo sem entender. Explica-me.”

“- O diamante estava na bancada quando os outros viajantes lá passaram, mas cada um tinha o seu desejo e a sua necessidade. Um estava preocupado com um calço para a carroça, viu o diamante e pensou que era uma pedra sem valor… para o fim que tinha em mente. O outro procurava uma pedra angular, o terceiro tinha fome e as pedras não se comem, por isso não viu qualquer valor em nenhuma delas.

Filho, os homens não vêm o mundo como ele é, mas como eles são. Por isso o valor de uma pedra não está na pedra, mas na pessoa que a encontra.”

 

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 “– Pai, com tanto dinheiro que ganhaste, agora podemos deixar o negócio das pedras e ir viver para uma casa boa na cidade, comer boas comidas e beber boas bebidas, ter criados para fazerem as tarefas domésticas e não precisas de pensar em mais nada, não é assim?”

“- Amanhã de manhã, como habitualmente, iremos para a beira da estrada vender as nossas pedras, pois nós mesmos não sabemos o valor das pedras que possuímos até que elas comecem a exercer a sua magia e a mudar a vida das pessoas.”

O filho não entendeu lá muito bem, mas calou-se. Um minuto depois disse: “tenho fome”. O pai sorriu e foi preparar o jantar.

 

 

 

 


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