Falei dos 80% da população que não tem sucesso em Internet Marketing.

Depois, há uma qualidade de pessoas mais resistentes às intempéries e que duram muito mais tempo na indústria: Os 15%.

São aqueles que sabem que têm de trabalhar sobre si próprios pelo menos tanto como trabalham nos seus negócios.

  • Leem bons livros,
  • cercam-se de pessoas positivas,
  • escolhem bem o tipo de influências que recebem,
  • estudam e aprendem com os melhores todos os aspetos e facetas do negócio e da indústria.

Estes podem manter-se num multinível durante muitos anos, são praticamente inquebráveis, mas não ficam ricos. E como não ficam ricos, vão reduzindo o tamanho do sonho até este ter a estatura da sua realidade.

Vão em piloto automático, fazendo o que sempre aprenderam a fazer e colhendo alguns magros resultados, funcionando como se os seus negócios fossem um emprego.

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Porquê? Outra história verídica:

A minha cunhada fazia uns canelones escandalosamente bons. Um dia a minha esposa pediu-lhe a receita e ela ensinou-lhe como fazer o molho e como rechear os tubos de massa. “Fazes o molho assim e assado, com cebola, queijo fresco, espinafres, depois pegas numa colherzinha de sobremesa e começas a encher os pequenos tubos de massa. Eu não faço muitas vezes porque dá tanto trabalho a encher os tubinhos que perco nisso a maior parte do meu tempo, então faço somente em dias muito especiais e aconselho-te a fazer o mesmo”.

A minha esposa pegou na receita e adicionou umas coisas, retirou outras e apaladou-a ao seu gosto. Quando chegou a hora de encher os canelones, vai de pegar numa colher de sobremesa e começar a encher os tubinhos de massa um a um. Não sei se alguém tentou fazer isso, mas garanto que é complicado. Eu estava lá a ajudar. Passados uns 10 minutos e uns 3 ou 4 canelones cheios de recheio depois, a minha esposa atirou a colher para dentro do alguidar do recheio e disse assim de repente: “tem de haver uma maneira melhor de fazer isto” mandou-me parar e começou a cirandar pela cozinha.

Eu fui-me embora, mas voltei passados uns 15 minutos e ela tinha uma travessa cheia de canelones, mais de 30 e já estava a colocá-los no tabuleiro para irem para o forno. “Como é que fizeste isso?” Perguntei eu admirado. Afinal era muito simples. Ela arranjou um saco de plástico, encheu-o com o recheio, cortou-lhe um canto e desatou a encher tubinhos de massa à pressão, usando o saco de plástico como se fosse um saco de pasteleiro. Começámos a comer canelones em casa muitas vezes, é um dos meus pratos favoritos.

Um dia, em conversa com a minha cunhada, a minha esposa contou que em casa todos adorávamos os seus canelones, sendo diferentes dos dela. Ao que ela respondeu que na casa dela era também um prato muito popular, pena darem tanto trabalho! A minha esposa desatou a rir e contou-lhe como é que fazia, com o saco de plástico e o canto cortado com a tesoura e o enchimento de canelones à pressão, ao que a minha cunhada respondeu com uma grande risada e chamou-se a si mesma idiota por não ter pensado nisso, ela própria, mais cedo.

Há mais de 20 anos que ela fazia os canelones à colherada porque foi assim que uma velhinha italiana a tinha ensinado. Provavelmente quando essa velhinha aprendeu a fazer os canelones os sacos de plástico ainda não tinham sido inventados.

Agora vamos transpor esta história para a indústria do multinível.

Imagine que a minha cunhada é “distribuidora multinível” de uma empresa de canelones. A empresa fornece o recheio e os tubos de massa e o trabalho do distribuidor é vender canelones (tem primeiro de “preparar” as encomendas enchendo os canelones com recheio). Os canelones são maravilhosos. A empresa paga 90% das receitas para o distribuidor (isto é que é um plano de compensação hein!!) e tudo o que o distribuidor tem a fazer é vender canelones e recrutar vendedores de canelones. Certo?

O que faz a minha cunhada? Anuncia a qualidade dos canelones, dá-os a provar e toda a gente fica com água na boca. Depois anuncia a empresa, o plano de compensação espetacular que vai fazer toda a gente rica.

Que acontece?

  1. Ela vai conseguir alguns clientes, imagine: 10, e vai recrutar alguns distribuidores, imagine: 10. Todos muito entusiasmados.
  2. Os clientes fazem encomendas e a minha cunhada passa 5 horas na cozinha, todos os dias a encher canelones com a colher.
  3. Os 10 novos distribuidores, entretanto também fizeram alguns clientes e eles também estão a passar 3 ou 4 horas por dia a encher canelones.
  4. Quando vão à rua, cansados e olheirentos, tentam convencer os amigos e familiares que o negócio dos canelones é o melhor do mundo, mas realmente poucos são os que acreditam neles, vá-se lá saber porquê.
  5. Passou o tempo. Os novos distribuidores descobriram que é tudo perfeito no negócio exceto a parte de encher os canelones: é chato, lento, aborrecido. E, quando tentaram explicar aos seus amigos o que têm de fazer todos os dias para ganharem dinheiro, eles acharam que não tinham jeito para encher canelones e pior que isso, não queriam fazer isso.
  6. Tudo o que eles não querem é mais uma coisa que fazer a ocupar os já ocupados dias que têm. O que queriam era uma forma de ganhar dinheiro em casa nos tempos livres e não uma prisão. Queriam a liberdade anunciada e não um “emprego” de enchedores de canelones, ainda por cima sem ordenado fixo.
  7. Quando um distribuidor da minha cunhada se queixava que estava a ganhar pouco dinheiro ela respondia: “enche mais canelones”.
  8. Ao fim de alguns meses ou uns poucos anos, muitas pessoas passaram pela experiência de encher canelones. Uns gostaram outros não. O que é certo é que todos acabaram eventualmente por deixar esse negócio.

Alguém ganhou dinheiro com este negócio? Sim. Houve muitos a ficar ricos? Não.

Fiz-me entender?

Agora imagine a mesma história mas a distribuidora é a minha esposa.

Os mesmos canelones, a mesma empresa multinível e o mesmo plano de compensações. A mesma introdução, degustação, apresentação do plano de marketing. Os mesmos resultados: 10 clientes e 10 distribuidores.

O que se passa daqui para a frente porém é completamente diferente:

  1. A primeira coisa que a minha esposa ensina é como arranjar um bom saco de plástico (tamanho, espessura), como fazer um corte num dos bicos por forma ao buraco se adaptar à dimensão do tubo de massa e como encher os canelones à pressão. Todos aprendem facilmente.
  2. Depois os clientes começam a pedir canelones e a minha esposa passa 15 minutos por dia a encher os tubinhos e mais meia hora a entregá-los recebendo bom dinheiro de volta.
  3. O mesmo se passa com os 10 novos distribuidores: começam a ter alguns clientes e a passar uns minutos por dia a encher canelones.
  4. O resto do tempo livre passam-no nos seus hobbies e a mostrar a outras pessoas esta forma divertida e simples de trabalhar.

Quem é que você acha que vai ficar rica? A minha cunhada e os distribuidores dela ou a minha esposa e os distribuidores dela?

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Porquê? Porque a minha esposa tem um SISTEMA de trabalho eficaz, simples e duplicável (fácil de reproduzir por uma pessoa nova).

Esta história (a verídica e não a do multinível que foi inventada agora para servir de exemplo) ensinou-me que não basta conhecimento, determinação, vontade de trabalhar, persistência (mais de 20 anos a fazer canelones com uma colher!) ou um bom produto ou empresa para ter sucesso: é preciso ter um sistema de trabalho que permita que você seja eficaz e que seja fácil de aprender e multiplicar.

Muitos distribuidores andam pelo multinível durante anos e não estão ricos. São aqueles que você encontrou no evento e que não compreendia porquê não eram já ricos.

Agora já sabe porquê: andam a fazer canelones à colherada.

Um aparte: Eu já encontrei muitos que olham para as figuras de topo que ganham dezenas de milhares por mês e pensam: “aquilo é que foi sorte, olha, aquele teve a sorte de recrutar aqueloutro que o qualificou. Um dia eu também vou recrutar um distribuidor assim, que fará a minha organização explodir e fazer-me rico”. E não quero dizer que isso não seja possível. Mas você também pode ganhar a lotaria.

Todos os distribuidores que pensam assim acabam por desistir em pouco tempo.

Desistem porque não têm paciência para esperar os resultados e porque pensam que patrocinar uma super-estrela é uma questão de sorte.

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Nada mais errado: não é uma questão de sorte mas de preparação.

Mas falávamos de canelones e de colheres. E aqui entra a segunda razão pela qual você provavelmente não vai enriquecer.

Você não tem um bom sistema de trabalho, simples, passo a passo, fácil de executar, divertido, altamente eficaz e completamente duplicável.

Para agravar mais as coisas, o seu patrocinador também não tem. Eu não tenho nada contra os patrocinadores, eu também tenho um e eu próprio também sou um, mas provavelmente o seu patrocinador não tem este sistema, o patrocinador dele também não e andam todos a encher canelones à colher.

Pior que isso: querem que você faça o mesmo e que ensine os seus downlines a fazer o mesmo e não sabem, ou não querem saber, que os sacos de plástico já foram inventados há muito e que têm muitos usos além dos óbvios.

 

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