O tema desta categoria é “porque é que nem todos vão ficar ricos com o multinível”.

Já falei dos 95% de distribuidores que não ficam ricos: 80% desistem, 15% acomodam-se e rotinam-se com sistemas pouco eficazes. Não evoluem.

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Vou agora falar de quem realmente interessa e com quem devemos aprender para nos tornarmos ricos: os que se tornam financeiramente independentes, os últimos 5%.

Quais os seus segredos?

Como calcula e pode verificar pelas estatísticas, são muito poucas as pessoas que entram neste clube exclusivo. Não é porque os lugares sejam limitados, mas sim porque não pode entrar toda a gente, aliás, quase ninguém pode entrar.

A questão é: será que você será aceite? Será que você tem o que é preciso? As qualidades, o valor, a inteligência, a audácia, a educação, a genética, a estatura, a saúde, o dinheiro, a beleza, o carisma, a cor certa de cabelo ou o número de calçado? Já vai ver.

Em primeiro lugar: há dois tipos de pessoas: as que reagem às circunstâncias, melhor ou pior, e aquelas que criam as suas próprias circunstâncias.

Se você é um “reator” ficará no grupo dos 95%, se você é um “criador” tem boas possibilidades de ficar no grupo dos 5%.

Vou contar uma história verídica, aconteceu comigo e a minha família e toda a gente do nosso círculo de amigos a conhece muito bem. Você poderá fazer um exercício interessante: em cada ponto da história assinalado com “[PAUSA]” tente colocar-se no meu lugar e pense no que você faria naquelas circunstâncias.

Vai entender a qualidade secreta para você ficar rico. Veja se a tem.

Há cerca de dois anos, em 2007, fui viajar até ao Canadá com a minha família: as minhas 4 filhas, a minha esposa e eu. Essa viagem era especialmente importante porque o meu sogro, que lá vivia, estava bastante doente e queríamos passar algum tempo de qualidade com ele, em jeito quase de despedida. A minha filha mais nova, de 6 anos era apaixonada pelo avô e ele tinha um carinho muito especial por ela. Falava dela constantemente e sonhava com ela muitas vezes, com as saudades. Então decidimos ir visitá-lo principalmente para ele estar, possivelmente pela última vez, com a neta mais pequena.

Chegados ao aeroporto, chegámos ao check-in e verificámos que o avião estava duas horas atrasado. Fiquei bastante aborrecido porque aparentemente iríamos passar umas 4 horas e meia de espera e aborrecimento no aeroporto. Nada mais errado como vai ver.

Chegada a nossa vez de despachar as malas entregámos como de costume os passaportes todos à moça, ela verificou as fotos, perguntou quantas malas e depois disse com um tom bastante calmo e casual: “Quem é a Olívia?” e depois de olhar para ela: “Esta menina não vai a lado nenhum, o passaporte dela está caducado”.

De repente parece que caiu uma granada “Como? Mas? Não pode ser.” A minha esposa tinha verificado os passaportes antes de sairmos de casa, mas realmente o passaporte da mais pequenina estava caducado havia uns poucos meses. Como eles tinham sido emitidos todos no mesmo dia, bastou ver a data de um ou dois e presumiu-se que todos estivessem válidos, mas o da mais pequena, por ela ser ainda muito criança, tinha uma validade mais curta que os restantes, razão pela qual estava caducado e nós não sabíamos.

Soluções? Não há. “Uma coisa é certa”, dizia a moça, “esta menina não vai viajar.” Juntaram-se mais 3 empregados dos outros balcões de check-in e foram unânimes. A minha esposa e as minhas filhas começaram a choramingar.

[PAUSA] Neste ponto que faria você?

Eu disse à minha esposa: “Não vale a pena, não dá, não dá. Vocês vão viajar eu fico aqui com a menina.” Então a minha esposa perguntou ao funcionário: “há mais algum voo amanhã?” O plano seria então eu ficar em Portugal com a Olívia, as outras filhas e a minha esposa iriam para o Canadá no voo previsto. Eu iria tratar do passaporte ainda nesse dia e no dia seguinte embarcaria. Iríamos juntar-nos no Canadá. “Voos amanhã? Há um mas não posso garantir que tenha lugar, todos os voos têm estado lotados.” Respondeu o funcionário. Em todo o caso seria ainda necessário escrever uma declaração em que a minha esposa autorizava que eu viajasse sozinho com a minha filha mais nova para o Canadá, e uma outra minha, a autorizar a minha esposa a viajar sem mim e com as minhas outras filhas. As assinaturas teriam de ser reconhecidas.

Este plano foi liminarmente recusado pela minha esposa: “Ou vamos todos ou não vai ninguém” lembro-me de a ouvir dizer. E respondi: “Mas não vês que não há hipótese nenhuma de a menina ir? Pelo menos vão vocês, eu fico com ela e iremos quando pudermos.”

[PAUSA] Neste ponto que faria você?

Por mim o caso estava arrumado: Ou ia parte da família ou não ia ninguém. Aparentemente não ia ninguém. Então ela perguntou: “não há possibilidade de nós irmos tratar do passaporte da menina agora mesmo e ainda voltarmos a tempo de voar?” Um dos funcionários iluminou-se: “aqui mesmo no aeroporto há um serviço do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras). Eles poderão fazer-lhe um passaporte provisório, somente para esta viagem de ida e volta.” Sentimos alguma esperança a crescer, mas logo um outro, no guichet ao lado respondeu: “não dá, o Canadá não aceita os passaportes provisórios, tem de ser um documento a sério e definitivo”.

Ficámos de novo quebrados. Toda a gente chorava e eu tinha o coração aos pulos. Parecia que estava a viver um pesadelo: pensava no meu sogro que iria ver a menina provavelmente pela última vez, as minhas filhas e a minha mulher a chorarem e eu não tinha qualquer solução porque todas as alternativas eram inaceitáveis.

A minha esposa todavia não desistiu e perguntou se não seria possível tratar do passaporte definitivo ali mesmo em Lisboa, mesmo sendo nós de Leiria. A resposta foi: “Pode tentar ir ao governo civil, ali nas Laranjeiras, se eles lhe derem um passaporte já, poderá embarcar. Mas têm de ir já.”

Uma nova esperança encheu a sala. Todos os funcionários, 6 ou 7 estavam atentos e muito tristes com a nossa situação. Telefonei ao meu irmão que estava ainda ali perto (ele é que nos tinha ido levar ao aeroporto) para nos vir buscar e fazer de táxi. Ele apareceu em 10 minutos. Deixámos as minhas 3 filhas mais velhas ali com os funcionários e arrancámos a correr pelo aeroporto fora para ir para o carro do meu irmão, acabado de chegar.

Dali à Loja do Cidadão das Laranjeiras demorámos poucos minutos, mas o relógio não parava. Corremos escadas acima, passámos ao lado de uma máquina automática de fotografias. Aproveitámos para fazer fotografias da menina que sabíamos irem fazer falta dentro de poucos minutos.

Havia umas pessoas à nossa frente e o instinto dizia-me que tínhamos de esperar a nossa vez. Contudo a situação agravava-se: o relógio não parava. Decidi então passar à frente somente para fazer uma pergunta: “é possível fazer aqui um passaporte para esta menina de modo a ela embarcar ainda hoje?” Resposta: “Sim” – Está resolvido! Pensámos aliviados. – “Mas só às 5 da tarde.” – Caiu-nos então tudo ao chão: o voo, mesmo com o atraso de duas horas sairia da Portela às 2 da tarde. Ainda tentei argumentar: “mas não pode passar o meu processo para a frente? Dar urgência?”. Resposta: “Não, porque agora os serviços não estão centralizados aqui. O pedido tem de percorrer vários departamentos e ser despachado em todos eles. Isso é feito de forma eletrónica, mas não é fisicamente aqui. Se fosse até poderíamos dar um jeito. Mas não é. Tenho muita pena.”

Ficámos de novo de rastos. Afinal parecia haver uma solução e não havia nenhuma, mais uma vez.

[PAUSA] Emocionalmente estávamos de rastos, a menina chorava pensando que ficaria em terra, a minha esposa chorava porque não aceitava que não houvesse solução, eu desisti e disse: “Vamos embora” e tentei animar a menina dizendo que tinha umas fotografias novas muito bonitas. Neste ponto que faria você?

Então a senhora do registo civil, muito triste também com a situação disse: “eles lá no aeroporto têm um escritório do SEF. Pode ser que eles lhe façam um passaporte provisório”. Eu respondi: “É verdade, mas o Canadá não aceita os passaportes provisórios”. Ela pôs uma cara de dúvida: “Olhe que eu acho que aceitam: em todo o caso não custa perguntar. Tome lá o número de telefone da embaixada do Canadá e pergunte.”

A minha esposa ligou, explicou a situação em 30 segundos e a resposta foi: “Sim, o Canadá aceita esse documento.” Agradeci muito à senhora do registo civil e lançámo-nos pela escada abaixo para voltarmos ao aeroporto e irmos ao SEF. Já passavam das 11 da manhã.

Mais animados chegámos à entrada do aeroporto e perguntei onde era o SEF. Depois fomos todos a correr para o edifício. A Olívia quase voava pela minha mão e pela mão da mãe. Entrei ofegante, expliquei ao segurança o que se passava e ele, muito calmo, ligou para alguém e pôs-me a falar com essa pessoa. Era um agente do SEF, muito calmo e educado. Eu expliquei a situação e ele respondeu simplesmente: Não há problema: venha aqui a cima e traga o passaporte caducado, venha com a menina e a sua esposa e traga também o Bilhete de Identidade da menina.”

Eu repetia tudo o que estava ouvindo ao telefone de modo que a minha esposa e o meu irmão ouvissem também. Quando acabei de dizer: “ele quer que levemos o Bilhete de Identidade da Olívia. Estamos safos, vamos lá”, a minha esposa abriu a mala de mão e retirou uma carteira onde guarda todos os documentos da família: cartões de vacinas, do médico, os bilhetes de identidade de todas as meninas MENOS O DA OLÍVIA. Não parecia possível!

Ríamos e chorávamos ao mesmo tempo. Como era possível? Estarem lá todos os documentos de toda a gente menos precisamente o Bilhete de Identidade da Olívia, o único imprescindível! Depois de um ou dois minutos a revirar a carteira e de retirar cada papel e verificar tudo, chegámos à conclusão que o Bilhete de Identidade não estava mesmo ali. Tinha ficado em casa. Tinha sido necessário para qualquer coisa há poucos dias e tinha ficado noutra carteira: em casa, a uma hora e meia de caminho para cada lado.

Eu pensei: “eu vou lá buscar o documento”. Mas fazendo as contas, uma hora e meia para cada lado chegaria já depois de o avião sair. “Agora é que estamos arrumados. Estamos a lutar contra qualquer força desconhecida que não quer de forma nenhuma que a Olívia embarque. Estas coisas simplesmente NÃO ACONTECEM.”

[PAUSA] E agora que faria você? Vai desistir? Eu também. Aliás eu já tinha desistido uma meia dúzia de vezes e esta seria a última.

Então saímos calmamente do edifício. Estavam esgotadas todas as possibilidades. Tínhamos de aceitar o inevitável. Então a minha esposa lembrou-se: “Liga ao Armindo! Ele é capaz de vir cá trazer a carteira! O problema é que o Armindo não tem a chave de nossa casa.” Pensou e em 30 segundos arquitetou todo o plano.

O Armindo é um grande amigo meu que mora numa aldeia vizinha. Então iniciámos uma operação de resgate e transporte de documentação nunca vista: Tínhamos deixado uma chave de nossa casa à minha irmã para ela ir tratar da cadela e ficar de olho na casa.

Este foi o plano: Liguei à minha irmã para ela ir a minha casa (que fica a 100 metros da casa dela) e ir buscar a carteira que está em tal sítio assim e assim. Depois devia ir para casa dela esperar que alguém lá fosse buscá-la. Apanhei a minha irmã pelo telemóvel ia ela a caminho de Leiria, mas voltou para trás e fez o que pedi.

Entretanto liguei ao Armindo para ele ir urgentemente a casa da minha irmã (que ele não sabia onde era mas as indicações eram simples) e trazer uma carteira com documentos que ela lá tinha. Eu não tinha tempo para explicar mas era um caso muito grave e urgente, depois explicava. A única coisa que ele tinha de fazer era ir a casa da minha irmã e trazer os documentos o mais depressa possível, de preferência a voar baixinho, até ao aeroporto. Ele disse: “ok” (obrigado Armindo, nunca hei-de esquecer este gesto) e sem perguntas deixou o que estava a fazer, os planos e a vida dele, para fazer de correio até ao aeroporto.

Depois de falarmos ao telefone e tratarmos de tudo sentávamo-nos ou cirandávamos por ali esperando o carro dele aparecesse olhando para o relógio e vendo o tempo a passar. À uma e meia da tarde, uma hora e meia exata depois do telefonema, apareceu o Armindo com a bolsa de documentos. Procurámos e encontrámos o Bilhete de Identidade da menina. Agradeci ao Armindo e corremos para o SEF.

Faltava meia hora para o voo. Falámos de novo com o segurança, ele indicou-nos tal sítio assim e assim, encontrámos o agente do SEF e contámos a história resumidamente, já mais calmos. Dissemos que o avião partia dentro de 25 minutos e como ele não pareceu preocupado nós também não ficámos. Entrámos, sentámo-nos, preenchemos e assinámos uns papéis e então o agente levantou-se, pediu o Bilhete de Identidade da menina, o meu e o da minha esposa e saiu por uns momentos.

Então a minha esposa apertou-me o braço e segredou-me: “o meu Bilhete de Identidade está caducado” eu só lhe respondi: “depois de tudo o que aconteceu acredito que ele não repare”. Mas quem sou eu para imaginar que um agente do SEF não repare numa coisa dessas!

Quando ele apareceu de novo, 5 minutos depois, trazia os nossos documentos e um passaporte novinho para a minha filha. Provisório, mas era um passaporte. Agradecemos muito, pagámos uma pequena fortuna e corremos dali para fora em direção ao check-in onde tinham ficado todas as nossas malas.

Quando lá chegámos encontrámos 3 ou 4 daqueles funcionários com quem tínhamos falado no início a guardarem a nossa bagagem. Ainda me disseram: “você não deve deixar a sua bagagem sem vigilância, teve sorte porque nós não saímos daqui” e sorriu aliviado também. Entrámos diretamente para dentro do avião, mesmo em cima da hora do voo e 5 minutos depois estávamos no ar.

Depois de levantarmos voo parecia que um camião nos tinha passado por cima. Depois da primeira hora de descanso começámos a conversar: se o avião não tivesse atrasado precisamente 2 horas, se fossem somente 15 minutos a menos, nós estaríamos todos em terra. E sentimos que alguma coisa tinha segurado o avião o tempo suficiente para resolvermos todos os problemas.

Estivemos umas duas semanas com a família da minha esposa e com o meu sogro, ele viu e brincou com a netinha, a Olívia brincou com o avô e essa foi efetivamente a última vez que se viram.

Quando contámos a história da viagem aos nossos amigos e familiares, quase todos comentaram: vocês tiveram cá uma destas sortes!…

[PAUSA] E você? Acha que o que tivemos foi sorte?

Se você fosse como eu era, a história teria acabado no primeiro capítulo, mas a minha esposa ensinou-me muita coisa com a forma como lidou com a situação. Posso dizer que mudou a minha vida por ter mudado para sempre o meu conceito de “possível” e “impossível”.

Com esta história quero ilustrar porque é que somente 5% das pessoas dentro do multinível ficam ricas.

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Não é somente por não desistirem nem por terem um método de trabalho simples e eficaz. Eles desenvolveram uma qualidade muito rara: aprenderam a criar as próprias circunstâncias e a tecer uma nova realidade misturada nos fios dos acontecimentos. Sabem como aproveitar o vento contrário em seu favor, simplesmente posicionando as velas de forma diferente.

  • Há pessoas que são “choradoras de problemas”: só sabem queixar-se. São comandadas pela “Probabilidade”. Se existem boas probabilidades de terem sucesso, até fazem algo, mas se a probabilidades são baixas nem sequer se dão ao trabalho de começar. Eu sei que leu o sub-título deste artigo, mas leia-o de novo. Tem uma palavra-chave: “probabilidades”. “Você tem poucas probabilidades” e isso é verdade. Resta saber se você rege a sua vida pela “probabilidade.
  • Depois há outras que são “solucionadoras de problemas”: vibram com o desafio de conseguir o impossível. Fazem da preparação o seu modo de vida, são comandadas pela “possibilidade” e, mesmo se aparentemente não houver nenhuma possibilidade, inventam uma e apostam tudo nela.

Estas pessoas são raras? São. E são bem-sucedidas? Sim, todas elas.

Representam cerca de 5% da população. Isso não lhe diz nada?

 

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6 thoughts on “Os 5%: Parte IV de ‘Você Vai Ficar Rico? Em Princípio Não – Entender os “Comos” e os “Porquês” da Independência Financeira’”

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