Pergunta: “Vamos todos ficar ricos no multinível?”

Resposta: “Não.” Porquê? Vou contar uma história verídica em todos os pormenores:

Quando eu era estudante na Universidade Católica de Lisboa vivia numa quinta, no Cacém, juntamente com mais uns 15 estudantes. Como se tratava de uma quinta, com imenso terreno abandonado, decidimos por mãos à obra e fazer uma pequena horta ao lado do rio que a atravessava. A terra estava muito compactada e era constituída por barro e pedras. Era tão dura que quando a tentámos cavar pela primeira vez tivemos de o fazer com picaretas. As enxadas partiam-se.

Cavámos com picaretas e retirámos, à mão, toneladas de pedras grandes e pequenas, adicionámos composto e areia e, ao final de um ano de trabalho diário tínhamos uma horta de um quarto de hectare cultivada com nabos, cenouras, alfaces, couves, feijão-verde, rabanetes, tomates, e muitas outras coisas. Um ano de trabalho diário, com chuva e com sol, todos os dias e todos os fins-de-semana produziram aquele resultado maravilhoso.

Um dia, alguém chamou a atenção para as cenouras que estavam a murchar, depois para os nabos e em pouco tempo tudo estava meio destruído e a secar. O que estava a acontecer? Tanto trabalho e a colheita estava a ser dizimada sem razão aparente. Foi então que descobrimos que havia muitas ratazanas gigantes naquele rio e que escavavam túneis debaixo da terra para irem à nossa horta comer tudo o que tínhamos plantado.

A destruição foi completa. De entre todos nós, somente meia dúzia não desanimou, eu fui um dos que desanimaram e desistiram, mas 5 ou 6 decidiram resolver a situação. Um tinha uma espingarda de pressão de ar e dedicava todas as tardes ao extermínio das ratazanas a tiro, matava ratazanas às centenas. Outros 2 ou 3 iniciaram a escavação de uma trincheira de um metro de profundidade em volta de todo o perímetro. A ideia era fazer uma vedação com rede metálica e descer esta rede até um metro de profundidade, isso impediria as ratazanas de passaram para o lado de dentro onde os restantes se dedicaram a arrancar tudo o que ainda restava e começaram a preparar a terra para nova sementeira.

Pessoalmente achei aquilo um idiotice, nunca acreditei que a vedação afastasse as ratazanas e muito menos que o “sniper” conseguisse exterminá-las a tiro. O que é certo é que o trabalho ia prosseguindo e, passados uns dias estávamos todos de volta ao trabalho, “empurrados” pelo exemplo daquela meia dúzia de determinados. O terreno foi vedado, a terra cavada de novo, tudo plantado em leiras muito direitinhas, regado e mondado. Prevendo o Outono e o Inverno construímos uma pequena estufa com paus, arames e manga de plástico.

Os primeiros frutos começaram a aparecer a meados de Setembro mais de 18 meses depois de termos iniciado o trabalho com o primeiro golpe de picareta no chão compactado. Alfaces, cenouras, nabos feijão-verde, tudo muito fresco, saboroso e abundante. As ratazanas andavam pelo rio mas não voltaram a atacar a horta.

Uma noite na primeira semana de Outubro chovia imenso e eu estava a dormir no meu quarto quando fui acordado por um pinga-pinga em cima de um papel que tinha na secretária. Levantei-me para ver o que era. Não havia electricidade mas reparei que havia uma goteira no tecto pingando em cima do meu trabalho. Fiquei bastante aborrecido pelo trabalho arruinado, retirei os papeis e desci às apalpadelas até ao rés-do–chão para ir à cozinha buscar um alguidar de plástico para colocar debaixo da goteira. Quando os meus pés pousaram no chão, depois de descer o último degrau, senti água. Reparei que o chão tinha uns 15 cm de água e fui a correr chamar toda a gente. Desceram todos, com lanternas e velas e demos conta da porta principal estar a vergar com a força da água no exterior que estava a entrar à pressão pela fresta da porta, até aí 1 metro acima do chão.

Toda a noite andámos a levar mobília para a parte de cima da casa e quando chegou a manhã e olhámos pelas janelas do primeiro andar não víamos mais nada a não ser rio. Desde a porta da entrada até a mais de 300 m de distância só havia rio. A única coisa que víamos fora de água eram as árvores lá longe e a metade de cima de um galinheiro velho.

Estivemos ali a ver o rio arrastar roupas, caixas de chocolate, um carro, árvores inteiras e outras coisas, até perto do meio-dia, altura em que a água baixou e pudemos ir para a rua. A casa, por dentro estava coberta de uma lama oleosa, mas na rua a força da água tinha levado até as pedras da calçada do pátio. Atravessámos o rio pela pequena ponte que resistira à enxurrada e encontramos a nossa horta em pior estado que há um ano e meio. A vedação tinha desaparecido, todas as plantas ido na corrente, mas o pior foi a terra de cultivo. Toda a terra tinha desaparecido a terra escolhida de toneladas de pedras e pedrinhas, cavada a picareta, misturada com composto e areia, mondada e escolhida das raízes das ervas daninhas, mais de um ano e meio de trabalho diário e muito entusiasmo, tudo por água abaixo numa noite de temporal. O que se via era só terra amarela barrenta cravejada de pedras de todos os tamanhos e de destroços de árvores, tijolos e pedaços de cimento arrancados não sei de onde.

Dizer que estávamos de rastos era pouco. Os poucos que não choraram não o fizeram por vergonha. Estávamos todos em choque, à beira do caminho a olhar para aquela desolação, de braços caídos quando apareceu o André com um sorriso meio forçado e uma picareta na mão: vamos recomeçar, disse, e começou a cavar no mesmo segundo. Ele estava sozinho. Mesmo os 5 ou 6 que o acompanharam aquando do episódio das ratazanas agora tinham o espírito quebrado, mas o André, sem querer saber de nada nem de ninguém pôs mãos à obra e recomeçou tudo do zero.

Eu fui daqueles que não tiveram essa coragem, todos dizíamos: “não vale a pena” e, desta vez, o André ficou mesmo sozinho. Ninguém o ajudou e, nos 12 meses seguintes, até eu e ele sairmos dali (fomos juntos para Itália), ele trabalhou e trabalhou, em todos os momentos livres que tinha enquanto todos os outros, incluindo eu, íamos para a piscina, jogávamos futebol, ou fazíamos umas corridinhas na mata. Quando fomos embora daquela casa a horta estava a começar de novo a produzir.

Não sei se o André chegou a comer alguma coisa dali antes da nossa partida para Itália, mas o que é certo, é que muitos anos mais tarde eu voltei aquela quinta para uma visita e a horta estava lá ainda, viçosa e produtiva, mantida por gerações e gerações de estudantes que iam passando por ali.

Éramos 16, mas só um não desistiu.

Primeiro motivo porque é que muitos não se tornam ricos com o multinível:

Desistem. Estes são efectivamente a maior parte.

Sabe como identificar aqueles seus afiliados (ou faça você mesmo o teste) que estão fora deste grupo de 80% e que têm melhores hipóteses de se tornarem milionários?

Muito simples:

Você viu a oportunidade, tem um sonho e finalmente viu uma forma de poder começar a concretizá-lo e vai cheio de motivação e entusiasmo falar com a sua esposa, marido, namorada ou namorado acerca da sua fantástica oportunidade e eles dizem-lhe “lá estás tu com mais um esquema” ou algo pior. A sua motivação cai um pouco.

Depois fala com um amigo do peito. Tem a certeza de que ele vai juntar-se a si e ele responde “tem mas é cuidado que anda por aí muita malandragem”. Então fica mais desapontado.

Pensava que toda a gente iria querer este negócio e afinal parece que ninguém quer. Então começa a pensar em todos os seus amigos e a imaginar o que eles irão dizer quando falar com eles. Nessa altura você está convencido de que cometeu um erro e que afinal ninguém quer a sua oportunidade. Falou com 4 ou 5 pessoas e das respostas delas extrapolou para toda a gente conhecida e desconhecida.

Isto tem um efeito devastador numa pessoa nova no negócio.

Então, quando o entusiasmo já morreu e está enterrado, a motivação está abaixo de zero e vê claramente que afinal foi tudo um engano e que nunca vai conseguir ter sucesso, nessa altura vê-se se pertence ao grupo dos 80% ou ao grupo dos outros 20%.

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» Os 15%: Parte III de ‘Você Vai Ricar Rico? Em Princípio Não – Entender os “Comos” e os “Porquês” da Independência Financeira’

» Os 5%: Parte IV de ‘Você Vai Ficar Rico? Em Princípio Não – Entender os “Comos” e os “Porquês” da Independência Financeira’

Você vê quem vai morrer e quem vai vingar.

  • Quantas vezes eu vi esta batalha acontecer dentro da minha equipa sem poder ajudá-los fazendo-os saber o que eu sei e ver as coisas com os meus olhos!
  • Vi muitos morrerem na desilusão e “ai de quem lhes falar de multinível”!
  • Também vi alguns, menos, a cerrarem os dentes e a virem ter comigo para modificar as estratégias e tentarem atacar o touro de outro modo.

Porque é que alguns acontecimentos são motivo de desistência para uns enquanto noutros criam uma raiva interior que os leva muito mais longe é um mistério para mim.

O que eu sei é que tanto a desistência como a “raiva” motivadora são opções feitas por cada um.

Diante de um revés, de facto, você pode optar por reagir de uma forma ou de outra. É consigo.

A maioria escolhe desistir após alguns meses no negócio ou muda de empresa pensando que o problema está na empresa, nos produtos ou no plano de compensação. E até pode estar, mas está seguramente em si próprio.

Para quase todos os restantes é só uma questão de tempo. Cerca de 80% dos negócios, multinível ou não, fecham no período de 3 a 5 anos.

Se você não está no multinível há mais de 5 anos ainda está em período de desistências elevadas e, se quer ter sucesso, tem de verificar que tipo de pessoa é você:

  1. se desiste facilmente das coisas,
  2. ou se ganha aquela raiva interior perante as dificuldades e nunca se dá por vencido.

Diga-me nos comentários qual destes você é!

 

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5 thoughts on “Os 80%: Parte II de ‘Você Vai Ficar Rico? Em Princípio Não – Entender os “Comos” e os “Porquês” da Independência Financeira’”

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