“Todos ganham presentes, mas nem todos abrem o pacote.” – Nei Ferrarini

Para mim uma pessoa que se queixa é como a criança que chora e berra no dia de Natal porque não recebeu nenhuns presentes.

E chora e berra tanto que não ouve os pais, tios, irmãos, avós, amigos, conhecidos e vizinhos a tentarem explicar que ele tem de ver debaixo da árvore para encontrar os presentes.

E estão lá tantos, tantos presentes que a árvore está quase tapada por todos aqueles embrulhos.

Mas a criança grita que ninguém gosta dela, que não tem nada, que todos recebem presentes menos ela, que está muito zangada com toda a gente, que nunca pensou que os pais lhe fizessem uma coisa dessas, que Deus é padrasto, que não tem sorte nenhuma, que só lhe acontecem desgraças.

As pessoas à sua volta, a pouco e pouco deixam de sorrir e de tentar mostrar-lhe a abundância debaixo da árvore. Pega cada uma nos presentes que trouxera e vão todos embora.

A criança fica sozinha. Depois lembra-se que alguém lhe esteve a dizer para ir ver debaixo da árvore, talvez esteja lá algo para ela. Ela vai lá e encontra a árvore despida e vazia.

Todos os presentes foram levados embora, mas para ela nunca lá tinham estado sequer.

Então reafirmou para si mesma todas as coisas negativas das quais se estava a queixar. Afinal tinha mesmo razão. A árvore despida e a solidão em que ficou demonstram-lhe, para além de todas as dúvidas que ela estava certa.

Para o próximo Natal talvez seja diferente, ou talvez seja igual, depende somente dela decidir continuar a queixar-se ou começar a agradecer tudo que já tem, que não é pouco.

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