Por cada cem homens capazes de suportar a adversidade, há apenas um capaz de suportar a prosperidade.” – Thomas Carlyle

Tu não acreditarias se eu te dissesse que, quando acontece um milagre na tua vida tu rapidamente te encarregas de o anular simplesmente porque não estás disposto a deixar que ele te modifique, tens medo, não sabes o que irá acontecer, resistes.

Não sei se conheces a história do peregrino paralítico.

“Um homem paralítico, viúvo, não saia nunca de casa, os familiares cuidavam-lhe da casa, a segurança social dava-lhe uma pensão minúscula. Ele queixava-se da vida e com razão. Um dia o seu filho adoeceu gravemente e ele fez uma promessa a Nossa Senhora de Fátima: se o filho se curasse ele iria a Fátima em peregrinação na sua cadeira de rodas. O filho curou-se e ele pediu para o sentarem na cadeira. Iniciou a jornada no tempo calculado para chegar a Fátima no dia 12 de Maio a tempo para as cerimónias.

Não imaginas o que ele passou! Chuva, frio, fome, falta de sono, tudo ele suportou. Nunca deixou que o empurrassem, nem que lhe mudassem a roupa molhada. Nunca parou nem de dia nem de noite. As mãos sangravam de empurrar a cadeira. Demorou quatro dias a chegar, mais morto que vivo.

Uma vez ali aceitou os cuidados dos enfermeiros de serviço e, depois de limpo e lavado foi-se apresentar a Nossa Senhora para lhe agradecer a cura do filho.

Empurrou-se até à capelinha e ali ficou, de olhos na imagem, a chorar e a agradecer. Alguma coisa lhe chamou a atenção lá longe, ao pé da imagem, e, como dali não conseguia ver bem, levantou-se e foi até ao altar, caminhando pelo próprio pé.

Várias pessoas que o viram levantar-se e caminhar começaram a gritar “milagre”. O filho e os outros familiares que tinham vindo com ele de repente viram-no a caminhar na direcção do altar e ali ficar de pé, aos pés da imagem de Nossa Senhora. Gerou-se um grande alvoroço com muitas pessoas a gritarem “milagre”. Os familiares e o filho foram a correr ter com ele e abraçaram-no.

Ele então percebeu que estava curado. Como podia não estar? Estava de pé, tinha caminhado mais de 20 metros e toda a gente gritava “milagre”. Ele estava a ser o centro das atenções. Muitos pensamentos passaram na sua cabeça “então e agora?”, “como posso eu estar curado?”, “não é possível!”, “o que vou fazer com a cadeira de rodas?”, “como me vou sustentar e ao meu filho?”, “precisarei de arranjar um emprego! Onde?”, “como posso eu agora tomar conta da minha vida?”, “quem vai querer agora tomar conta de mim?”, “o que vai ser do meu filho?”, Deixou-se cair, pediu a cadeira e que o levassem dali.

Puseram-no no autocarro da paróquia, que era suposto levá-lo de volta e lá foi ele para a sua velha casa e velha vida. Toda a gente insistia com ele: levanta-te homem, tu és capaz, recebeste um milagre. E ele sabia que sim, mas agora, mesmo quando estava sozinho e tentava levantar-se com todas as duas forças, nada acontecia. O milagre tinha acabado e ele, estranhamente, até estava satisfeito com isso.”

Pedir é fácil, sofrer por uma causa nobre também, lutar contra a pobreza, a escassez, lutar pela liberdade, defender a família, um amigo. Isto tudo a gente até faz, mas aceitar a prosperidade quando ela chega e um milagre quando ele ocorre, muda demasiado a tua vida.

Pedir, Lutar, Receber. De todos o receber é o mais difícil.

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