Quando ouvi Jim Rohn dizer “trabalha mais sobre ti mesmo do que no teu trabalho” pensei que ele estava a gozar comigo.

Estávamos em Barcelona. Eu tinha rapado o fundo ao tacho para ter dinheiro para ir a este evento e quando lá cheguei esperava ouvir o Segredo do Sucesso. Ouvi isto:

[tweet_dis]”Trabalha mais sobre ti mesmo do que no teu trabalho”[/tweet_dis]

e ouvi também:

[tweet_dis]”Para a tua vida mudar, tu tens de mudar primeiro”[/tweet_dis]

– Só podes estar a gozar comigo, pensei eu.

Eu trabalhava mais de 12 horas por dia, todos os sábados e 2 a 3 domingos por mês e não ganhava quase nada. A conta bancária estava sempre a negativo, muitos zeros abaixo de zero, e considerava-me uma pessoa de sucesso quando conseguia chegar ao zero. Trabalhava para o zero, como eu dizia na época, e ficava feliz quando o conseguia porque não me ligavam do banco e podia relaxar um pouco.

Eu precisava ganhar mais dinheiro e, para isso, trabalhava mais. Por alguma razão eu pensava que se trabalhasse mais horas ganharia mais dinheiro, mas, como vim a descobrir mais tarde, estava enganado.

E aqui começa a fazer sentido a frase de Jim Rohn: “trabalha sobre ti mesmo mais do que no teu trabalho”.  Percebi que o facto de eu pensar que o dinheiro vinha das horas de trabalho, me estava a impedir de ganhar dinheiro.

Um  cliente um dia disse-me que “trabalhas tanto que não tens tempo para ganhar dinheiro”. Achei graça e não entendi, naquela época, mas ele estava a dizer o mesmo que Jim Rohn dizia:

[tweet_dis]”O dinheiro que ganhas não tem a ver com a quantidade de horas de trabalho mas tem a ver com o valor que tens no mercado.”[/tweet_dis]

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Depois de um tempo, eu percebi que ele estava certo. Percebi que tinha de trabalhar mais sobre mim mesmo, tinha de valorizar-me e colocar-me no mercado de uma forma completamente diferente.

Porém não sabia como. Sabia o que tinha de fazer, mas não sabia como fazê-lo.

O que significava “trabalhar sobre mim mesmo?” O que tinha eu de fazer, especificamente?

Vou dizer-te: significa adquirir disciplinas, hábitos novos, competências técnicas, humanas espirituais novas e mais elevadas e, no processo, comunicar o caminho com o mundo (o mercado). Fazer o tal “Marketing Pessoal“.

Este processo demorou 7 anos, de 2005 a 2012 a produzir os seus resultados. Foram 7 anos a trabalhar sobre mim mesmo até que um dia comecei a colher os frutos de forma tão abundante que parecia magia.

O mesmo cliente que me dizia que eu trabalhava “tanto que não tinha tempo para ganhar dinheiro” nessa altura disse-me outra coisa:

[tweet_dis]”Trabalhaste a vida inteira para ficares rico de um dia para o outro”[/tweet_dis]

Desta vez achei graça e compreendi o que queria dizer: que a mudança que fazes em ti mesmo demora um tempo a manifestar-se, como um vulcão que acumula pressão ao longo dos anos e um dia, sem aviso, explode.

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Especificamente isto foi o que fiz no que respeita a trabalhar sobre mim mesmo:

1- Ouvi áudios todos os dias (hábito que mantenho). Ouvi o Jim Rohn (pesquisa Google), Wayne Dyer, e audios avulsos que ia apanhando na Internet (e em cds pirateados que arranjava) (pesquisa Google). A maior parte em inglês que não compreendia grande coisa, mas, com o tempo comecei a compreender perfeitamente.

Ouvia Wayne Dyer “There Is a Spiritual Solution for Every Problem“, todos os dias, em cassette com um walkman dentro de um bolso, enquanto fazia circuitos de horas e  horas pelas montanhas da vizinhança, em bicicleta. Quando comecei não entendia quase nada o que ele dizia, depois de 2 meses entendia tudo.

2- Li umas páginas de um livro todos os dias (hábito que  mantenho, por vezes substituído com uns artigos de alguns blogs na Internet). Livros de autores como George Clancy (“O Homem Mais Rico da Babilónia”),  Robin Sharma (“O Monge que Vendeu o Seu Ferrari”, “Líder Sem Título”), Wayne Dyer (“As Suas Zonas Erróneas”, “Chega de Desculpas”), Deepak Chopra (“As 7 Leis Espirituais do Sucesso”, “O Efeito Sombra”), John Maxwell (“Vencendo com as Pessoas”), Paulo Coelho (“O Alquimista”, “Diário de Um Mago”, “O Manuscrito Encontrado em Accra”), etc…

3- Participei em dezenas de eventos, tanto em Portugal como no estrangeiro. O meu primeiro evento nos Estados Unidos, foi em 2011, em Filadélfia onde ouvi Steven Covey (filho) falar da “confiança” como algo quantificável e do “capital confiança” das organizações e das pessoas. Desde esse dia participei em mais de 20 eventos somente nos Estados Unidos, em cidades como Austin, Chicago, Denver, Orlando, Miami, Las Vegas, Charlotte, Nashville e Atlanta, além da Espanha (inúmeros) e da Roménia.

É muito interessante notar que comecei a ir aos eventos como participante, mas, depois de um tempo, a partir de 2013, comecei a se convidado para ser orador e tenho-o sido desde então em quase todos os eventos onde participo. É incrível como o crescimento pessoal, nos leva a ter mais valor e, quando tens mais valor, as outras pessoas até pagam para ouvir o que tens para dizer. Fantástico, não?

Recentemente tenho sido convidado para falar até em eventos onde não estou fisicamente presente, como aconteceu há um mês em Bali, Tailândia, e este fim de semana em Porto Rico em que falo via hangout para alguns milhares de pessoas presentes na sala do evento.

 4- Comprei e estudei muitos cursos (Desenvolvimento Pessoal, Marketing e Marketing Digital (como Top Producer Formula, Kalatú Premium, Max Profit Accelerator, Viral Blogging Academy, Internet Traffic Formula, Traffic Trippler, Unstoppable Dream, Million Dollar Sales Formula)  Liderança (como Team Building Formula), PNL para negócios (como Mass Influence Formula) Método Silva (feito anteriormente), Coaching pessoal e de negócios (como Next Level Breakthrough, Next Level Mastermind, TPF Elite Coaching, TBF Elite Coaching, Max Performance Mastercourse)

Lista de Cursos
Lista de cursos que fiz no ambiente da comunidade Empower Network e que continuo a usar e a rever até hoje através da plataforma online.

 

5- Auto-Observação. Comecei a observar-me, a registar as emoções, a forma como tomo decisões, a entender os processos mentais e emocionais que ia vivendo. Isso deu-me a capacidade de entender os processos de tomada de decisões das pessoas, partindo do meu próprio exemplo, das sabotagens, dos medos e inseguranças, da auto-imagem e auto-confiança,  da confiança nos outros, ou falta dela. Isso permitiu-me também entender como ajudar uma pessoa a realizar as coisas que realmente quer realizar superando os medos, inseguranças e falta de auto-confiança.

6- Meditação e exercício físico diários (que continuo a fazer sempre). A meditação alinha as minhas intenções com a minha visão e com a unidade do mundo. Certifico-me de que estou alinhado com o meu próprio bem, com o bem das pessoas ao meu redor e com o bem da humanidade. O exercício físico eleva a energia do corpo e também do espírito. Ambas as coisas demoram poucos minutos, de 30 a 60.

8- Largar alguns hábitos que não me serviam. Deixei de fumar, de consumir álcool e açúcar/adoçantes adicionados na comidas e bebidas.

No início fiz o que quase toda a gente faz: deixei esses hábitos nefastos e comecei a julgar toda a gente, pois achava de todos deveriam fazer o mesmo (eu sei… é uma criancice, mas que queres que te diga 🙂 ). Depois, porque me observo, passei a ser completamente tolerante com as opções de cada um. Não estou nem mais certo nem mais errado que qualquer outra pessoa, simplesmente disse que não a certas coisas que podem ser boas para outras pessoas mas não o eram para mim.

9- Criar rotinas e auto-disciplina. Eu tenho personalidade de artista. Fui designer gráfico muitos anos, músico e professor de música. Sei o que é ter uma personalidade criativa e o difícil que é para nós sermos disciplinados. Tive muita dificuldade em ser produtivo. Ainda hoje fico nervoso diante de uma lista de coisas para fazer, pois quando estou a fazer uma penso sempre que deveria estar a fazer a outra… e não faço nem uma nem outra. LOL.

Para ser produtivo tive de ser engenhoso:

a) Todas as coisas que tenho mesmo de fazer, faço-as o mais cedo possível logo de manhã. Quanto mais difíceis ou desagradáveis forem mais cedo as faço. Aprendi isto: quando fazes algo que tens de fazer mas não é agradável, isso liberta uma hormona chamada Dopamina que dá uma sensação de prazer e eleva-te os níveis de motivação e energia para todo o dia. Altamente recomendado 🙂 e viciante também, o que te ajuda a fazer desta forma de rotina… um hábito.

b) Avalio diariamente o meu compromisso com as tarefas que tinha para fazer. Sem julgamentos, simplesmente para verificar. A não-recriminação quando falho uma tarefa foi uma coisa que demorei a conseguir e ainda não o consegui na totalidade, mas já não me impede de fazer melhor no dia seguinte.

c) Divido tarefas grandes em pequenos blocos. Nenhum bloco demora mais de 45 minutos a uma hora a concluir e faço uma pausa depois de cada bloco concluído. Isso dá-me a sensação de progresso e mantém a dopamina a fluir.

10- Tomar notas.Tenho 13 blocos de notas completos (à data de hoje) que escrevi desde 2008. Anotações dos eventos, dos áudios, dos livros e blogues, dos cursos, dos pensamentos pessoais, das opiniões críticas sobre o mundo, sobre como me ia observando, dúvidas, métodos e tudo o que me lembrava.

Hoje estes blocos de notas continuam a ser uma fonte de inspiração e aprendizagem para mim.

blocos de notas
Os meus blocos de notas

11- Partilhar com outros as coisas que vou descobrindo.

[tweet_dis]A melhor forma de evoluir é “Estudar + Fazer + Ensinar”.[/tweet_dis]

Há quem se limite a estudar e não faça nada. Vive dentro dos limites da caixa craniana e perde todo o feedback da experiência. Não é grande sistema.

Outras pessoas estudam e fazem, acumulam conhecimento que vem do estudo e da prática, mas não assimilaram até que comecem a ensinar.

Para ensinar precisas simplificar. Este processo ajuda-te a ti mesmo em primeiro lugar antes de ser útil às pessoas que estás a ensinar. Depois o feedback que recebes das outras pessoas acrescenta uma camada inestimável de conhecimento e de experiência.

Por isso tenho este blog, criei a Tribo e a Universidade da Tribo.

Comecei a entender o que significava a frase de Jim Rohn “trabalha sobre ti mesmo”.

Quando melhoramos, melhoramos a humanidade. Quando nos elevamos pelo conhecimento, prática e ensino estamos a aumentar o nosso valor e a colocar esse valor no mercado.

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Ora  bem… o que acontece quando és mais valioso no mercado? Podes ganhar mais dinheiro, bastando teres um bom sistema de feedback, que traga de volta para ti, na forma de reconhecimento, apreço e dinheiro, o valor que colocas lá fora.

Assim de simples. Não sei como demorei tantos anos a entender e a praticar, creio que todos temos de viver o nosso processo e passar por todos os degraus da escada.

Obrigado por leres este artigo. Queres Comentar?

Se me permites um conselho: não percas tempo, não percas um dia que seja sem te tornares um pouco melhor e sem acrescentares valor às pessoas que entram no teu círculo de influência.

 

 

 

 


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8 thoughts on “As 11 Lições Que Aprendi Com Jim Rohn”

  1. Obrigada Rui por este manual prático bastante completo de como atingir os nossos objectivos.
    Criar Rotinas é algo que ainda me falta colocar em prática e que faz toda a diferença.
    Que artigo fantástico!

    1. Olá António, obrigado pelo teu comentário. Tens razão: todas as coisas que precisamos fazer para ter sucesso são fáceis. Não há nada de difícil, porém, o que é fácil fazer, também é fácil não fazer e, não sei porquê, a maioria de nós, humanos, acaba por não fazer. 🙂 Mistérios…

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