Eu moro na Serra de Aire e Candeeiros e por aqui há muitas pedreiras. É realmente uma das principais indústrias da região a produção artesanal da famosa calçada portuguesa. Os artesãos são muito bem pagos, já que esta é uma arte difícil e antiga, e os clientes pagam muito bem porque a qualidade deste pavimento tem renome mundial em beleza, prestígio e qualidade.

Um dos principais empresários da região, um destes dias, tinha uma máquina avariada. É função desta máquina extrair da terra esventrada enormes blocos de calcário, branco ou azul escuro, consoante o caso. No caso presente deveria estar a fornecer 14 operários com os ditos blocos de pedra azul para eles a cortarem com o martelo quadrado em pequenos cubos de cerca de 5 cm de lado. O preço desta pedra cortada manualmente é muito superior ao do calcário branco, pelo que o empresário estava muito preocupado com a avaria da máquina: parada dava um enorme prejuízo e iria sem dúvida nenhuma atrasar aquela encomenda para o Japão.

Veio o mecânico e montou, desmontou, tornou a montar, coçou a cabeça e disse: “não sei o que se passa, tenho de pedir ajuda ao meu chefe, para mandar cá um especialista da marca”.

O empresário soprou irritado, olhando para os 14 homens parados e para o cais de carga ainda vazio. “Então ele que venha já. O dia vai adiantado e se não resolvemos isto hoje, amanhã é mais um dia perdido“. Sob a pressão dele o técnico da marca viajou mais de 50 km para chegar à pedreira ainda com luz do dia. Com ele vieram mais 3 mecânicos numa carrinha com muitas peças sobressalentes. Seria impossível que o problema ficasse por resolver.

Chegou a noite, os 14 homens foram para casa sem terem feito nada, os mecânicos ligaram os projectores sobre a máquina e ficaram a trabalhar pela noite dentro.

No dia seguinte, quando os operários chegaram ainda a máquina estava parada, com 4 homens em volta, por cima e em baixo, a tentarem pô-la a funcionar devidamente. O patrão chegou e ficou muito zangado com a situação. Barafustou, falou do prejuízo de mais de 20 mil euros, da incompetência dos mecânicos. Por fim o técnico da marca que liderava as operações veio falar com o patrão.

“Olhe, passámos aqui toda a noite e não conseguimos resolver o problema. Fizemos tudo o que podíamos fazer. Acho que, nestas circunstâncias só nos resta desistir e chamar o Sr. Avelino”.

“E quem é esse Avelino?” Perguntou o patrão.

O técnico respondeu: “ é a pessoa que mais sabe destes sistemas electrónicos e hidráulicos. Se ele não souber… ninguém sabe.”

“Chame lá o homem então!” Ordenou o patrão.

Passadas que foram duas horas, o meio dia a aproximar-se, os 14 homens parados, os mecânicos, o técnico e o patrão sentados em cima de umas pedras, chegou o Sr. Avelino num carro a cair de velho. Aproximou-se do grupo que se levantou de um pulo e perguntou o que se passava. O fato-macaco velho e uma maleta de ferramentas que mais parecia a mala surrada de um médico, chamaram a atenção do patrão que o cumprimentou desconfiado.

Sem dizer mais nada, foi até à máquina, desaparafusou uns parafusos, soltou uma tampa, pegou no martelo e deu três pancadas secas em alguma coisa. Fechou a tampa e mandou operar a máquina. Parecia milagre. Ficou a funcionar como nova e todos puderam voltar ao trabalho.

O patrão agradecido perguntou quanto era e o Sr Avelino respondeu: 5 mil euros, estendeu-lhe uma factura e dirigiu-se para a carripana velha onde tinha vindo.

“Espere, espere!” gritou o patrão. “por favor tome esta factura e envie uma outra detalhada, para ver se eu percebo como é que a conta é tão elevada! Você não esteve aqui nem 5 minutos e deu três marteladas!!”

O Sr Avelino respondeu: “Tudo bem aqui vai a descriminação: três marteladas: 1 Euro, saber onde e como bater: 4999 euros”.

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